quinta-feira, 24 de outubro de 2013

As pesquisas e o eleitor-gado do senador catarinense


Crédito da foto: saojoaquimonline.com.br 

Os jornais O Estado de São Paulo (“Querem cegar o eleitor” - http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,querem-cegar-o-eleitor-,1088984,0.htm) e Folha de São Paulo (“Aposta na ignorância” - http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/135364-aposta-na-ignorancia.shtml) reagiram hoje, em editorial, à PEC do senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC) que visa proibir a divulgação de pesquisas 15 dias antes das eleições.

O Globo não disse uma linha sequer sobre o assunto.

Os jornais paulistas estão tratando a iniciativa do senador catarinense com obscurantista.

Esse assunto já foi alvo de análise (1988) no STF:

Foi um julgamento unânime. Todos os ministros acompanharam o voto do relator, José Francisco Rezek, segundo quem a divulgação de pesquisas é ‘um direito absolutamente fluente do artigo 220 e de seu parágrafo 1º da nova Carta’", lembra o editorial da FSP.

Senso comum

O senador catarinense faz coro a um senso comum que está enraizado na opinião pública: o resultado da pesquisa influencia no ânimo do eleitor e o condiciona a votar nos candidatos que estão liderando a sondagem.

Fosse assim, poder-se-ia dizer também que as pesquisas sobre a adoção da pena de morte, realizadas em momentos de comoção nacional frente a um crime hediondo, influenciam o ânimo da opinião pública no sentido de se adotar a pena capital.

Pode-se dizer que há um fundinho de verdade nessa história, mas essa influência é irrelevante.

Se pegarmos as várias pesquisas que se referem à pena de morte vamos notar que existe uma variação de 49% a 51% (pró ou contra), o que mostra que a sociedade está dividida em dois blocos, divisão essa que tem muito mais a ver com condicionantes culturais e históricas do que com eventos esporádicos.

Eleitor-gado

Há outra questão embutida na proposta do senador (e creio que mais grave): o eleitor brasileiro vota ao “sabor das ondas”, “não sabe votar” (Pelé), é um maria-vai-com-as-outras.

O que diz, em resumo, Luiz Henrique da Silveira é que o brasileiro não tem vontade própria e nem senso crítico.

O senador despreza (o que, politicamente, deveria ser um chute no seu trazeiro) o fato de que todo e qualquer eleitor (independente da sua classe social e de seu grau de escolaridade) vota de acordo com os seus interesses pessoais, familiares e dos grupos sociais nos quais está inserido.

Portanto, a rigor, não existe a figura do eleitor que “não sabe votar”.

O eleitor pode até parecer (e quase sempre parece) uma biruta de aeroportos em dias de forte ventania, mas sabe muito bem o que está fazendo quando deposita seu voto na urna.

E até quando, simplesmente, se recusa a votar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário