domingo, 6 de outubro de 2013

Anti-feminismo e messianismo na fala de Marina Silva


Crédito: intervenção em foto do sítio poderonline.ig.com.br 

Embora nem este afalaire (http://afalaire.blogspot.com.br/2013/10/uma-marina-sustentavel-e-socialista.html), nem Paulo Moreira Leite (http://www.istoe.com.br/colunas-e-blogs/colunista/48_PAULO+MOREIRA+LEITE) acreditem no discurso-doação de Marina Silva ao PSB, a fala da política acreana soa como um resgate do machismo e como um flerte com o messianismo.

Machismo

A fala marinista recupera um velho discurso machista: “por trás de todo grande homem há uma grande mulher”.

As feministas militantes parecem não ter dado conta da escorregadela de Marina Silva – pelo menos até agora.

Talvez ainda estejam dormindo ou descansando.

Quem embarca apressado na canoa da supremacia do macho sobre a fêmea é o jornalista Kennedy Alencar, que viu uma derrota pessoal de Lula da Silva na adesão, e já antevê um segundo turno Campos X Rousseff, com o primeiro arrastando para as urnas “toda a oposição e parte das atuais forças governistas”

Jesus, Maria, José! É o jornalismo “aqui e agora” em toda sua plenitude e planura.

Messianismo

Ao se referir ao chavismo, à superação do petismo, à velha República (como notado pelo Diário do Centro do Mundo - http://www.diariodocentrodomundo.com.br/estao-faltando-ideias-e-sobrando-frases-feitas-para-marina/), Marina Silva vai buscar forças no místico amazônida Irmão José da Cruz, que zanzava pelos rios da região com suas pregações redentoristas e com suas cruzes.

Zanzava especialmente pelo Acre, aonde nasceu e vive a nova socialista.

O místico, que ao contrário de Antônio Conselheiro não era um beato, aparece no romance “Pantaleão e as Visitadoras”, do escritor peruano Mário Vargas Llosa.

Llosa que também se aventurou pela Canudos de Conselheiro no romance-documento “A guerra do fim do mundo”.

Distorções do real

Há problemas sérios nesse tipo de jornalismo:

- a pressa;
- a desconexão com a história;
- o desconhecimento da sociologia.

Um dos erros mais banais dos críticos (especialmente dos jornalistas) à figura de Lula da Silva foi identificá-lo como populista (muita gente repete esse mantra até hoje).

O ex-sindicalista e ex-presidente se impôs uma missão redentora e restauradora da ordem operária, assim como Conselheiro queria recuperar, em terras nordestinas, o cruzadismo de Dom Sebastião; retornar ao cristianismo primitivo e, de uma forma ou de outra, restabelecer a monarquia.

Lula, na sua missão evangelizadora, está mais próximo de Conselheiro do que de Getúlio Vargas (“trabalhadores do Brasil...”) e da caspa e do sanduiche de mortadela de Jânio Quadros.

Assim está, e assim se põe Marina Silva nesse novo cruzadismo anti-PT e anti-Hugo Chaves.

É um perigo eleitoral, pois parte da massa que a política acreana busca arrastar tem em Lula e em Chaves reencarnações de Bolívar e de Guevara.

A menos que na sua pós-modernidade mal compreendida ela acredite de verdade que vão levá-la ao Palácio do Planalto os curtidores do Facebook e os ambientalistas-consumistas urbanos.

Se for isso, o caso é grave.

Nenhum comentário:

Postar um comentário