terça-feira, 29 de outubro de 2013

“A PM é a vítima”, assim falou o coronel


Crédito da foto: ultimosegundo.ig.com.br

A Polícia Militar prende, bate e arrebenta; em horas vagas atira, às vezes bombas de efeito moral, noutras balas de borracha, e nas periferias com “balas de verdade”.

Coitados dos pretos, dos pobres e das putas.

É preciso acabar com a PM e civilizar os bravos policiais.

Bravos mesmo, sem ironias. São homens e mulheres que botam a cara a tapa, quando não, o corpo a bala.

Diferente de boa parte da população eu confio em policiais. São, quase sempre, as minhas referências em viagens ou quando estou num lugar pouco aprazível, quiçá perigoso.

Mas uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa... e estamos conversados.

Deixar quieto

“Ah, ah, ah, ah, ah, ah, ah”, “kkkkkkkk” retrucam muitos com a profundidade filosófica das redes sociais. “Acabar com a PM? O que você quer colocar no lugar? Lá no primeiro mundo... lá nos EUA...”

Pobres miseráveis. Confundem fardamento com militarização da polícia.

Melhor deixa-los quietos nas suas imensas ignorâncias.

Execuções

O Brasil é uma espécie de campeão mundial de execuções extrajudiciais.

Execuções extrajudiciais são as mortes provocadas por agentes da lei (pelo Estado) ao arrepio das penas de morte. O Amarildo sentiu bem na pele o que é isso.

Como não temos pena de morte... logo...

Este País tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza registra 25 homicídios por grupo de 100 mil habitantes (embora cidades como São Paulo possam se orgulhar de matar “apenas” 10 para cada 100 mil).

A média mundial é 8,8 mortos para cada 100 mil.

A civilização não chegou por aqui ainda.

20% das mortes são praticadas por agentes da lei (o Estado). Ou seja, de cada 10 sujeitos mortos, 2 o foram por obra e graça daqueles caras que deveriam estar a defender a cidadania.

A civilização não chegou por aqui ainda.

No chumbo

Esse barbarismo já trouxe para cá a relatoria especial da ONU para execuções extrajudiciais (em 2013) e o seu relator, Philip Alston (2007).

Alston é aquele sujeito que ganhou um agrado do Bope do Rio de Janeiro: uma réplica do “caveirão”.

Quando o “caveirão” vai às ruas sai da frente que vem chumbo grosso aí.

Fala aí, coronel

Pouco afeito às entrevistas e nada disposto a dar satisfações à sociedade (que é quem lhe paga o salário) enfim Benedito Roberto Meira, coronel e comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, veio a público para chamar “esses ditos manifestantes” de “criminosos, covardes e violentos”.

Simpático esse coronel.

É preciso entendê-lo: ele está meio que puto-da-cara com os black blocs, com o fato de o “coronel Reynaldo Rossi, um dos melhores homens da Polícia Militar, um negociador por natureza e obrigação” ter sido “agredido covardemente por um bando na noite de sexta-feira”, com o incêndio de dois caminhões ontem na rodovia Fernão Dias e com o quebra-quebra em lanchonetes e bancos.

Contramão

O coronel Reynaldo Rossi disse isso e muito mais em artigo publicado hoje na Folha de São Paulo (“As razões da covardia” - http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/136220-as-razoes-da-covardia.shtml).

O comandante-em-chefe faz coro aos nossos bravos meios de comunicação (a própria Folha, o Estadão, o Globo, a Veja, a Rede Globo etc. e tal) que conseguiram, uma vez mais, inverter o jogo, ou melhor, a lógica dos acontecimentos.

Não... a revolta de junho, as revoltas que a sucederam e as manifestações de ontem na Fernão Dias nada têm a ver com a truculência policial, nada têm a ver com o assassinato de mais um jovem pela polícia.

Não... o problema é esse “bando” de “criminosos, covardes e violentos” que saiu do nada, que sem razões “claras” e “legítimas” vai para as ruas bater em policiais, danificar o patrimônio público (só público?), atravancar o trânsito e tumultuar a vida do pacato cidadão.

Ufa!

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