sexta-feira, 20 de setembro de 2013

STF: “Vai para o trono, ou não vai?”


Crédito da foto: graomogol.zip.net

O pernambucano José Abelardo Barbosa de Medeiros, o Chacrinha, o Velho Guerreiro (Gilberto Gil / Aquele abraço) criou um bordão famosíssimo na TV brasileira: “Vai para o trono, ou não vai?”.

Em seus programas Buzina do Chacrinha e Discoteca do Chacrinha, entre abacaxis que distribuía à plateia, o Velho Guerreiro soltava o bordão ao final de cada apresentação de um calouro.

Chacrinha foi a face circense, midiática e televisiva do Tropicalismo.

Lá se iam os anos 60/70 do século passado.

Na mesma época, mas mais restrito a São Paulo, Estevam Bourroul Sangirardi, radialista, comentarista esportivo, escritor e humorista, criou o Show de Rádio, que se seguia a cada transmissão de futebol, lugar hoje ocupado pelas chatíssimas análises dos senhores comentaristas e pelas enfadonhas e pouco claras entrevistas com os “professores” e algum atleta falastrão.

Sangirardi ancorava o humor do Show de Rádio em personas torcedoras:

- Didu Morumbi, um afetado e decadente são-paulino, uma espécie de Chiquinho Scarpa daquele tempo;

- Joca, o maloqueiro e macumbeiro corintiano (fosse hoje, o humorista teria problemas com a moçada politicamente correta);

- Comendador Fumagalli, palmeirense e corneteiro-mór do Parque Antarctica.

Ibofe

Sangirardi também criou um extracampo: O Homem do Ibofe, uma forma caricatural e bastante bem humorada de criticar os índices de audiência registrados pelo Ibope – o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística.

O radialista nunca se conformou com os números ibopianos de seu programa, que era um sucesso de público extraordinário, da mesma forma como eram os programas do Chacrinha.

O SFT no trono

Ibope, de palavra, se transformou numa expressão, e virou uma medida para o sucesso ou para o fracasso de pessoas e instituições.

Quem dá Ibope, é sucesso; quem não dá, é fracasso.

E isso vale para qualquer acontecimento ou atividade:

- “Seu ibope tá alto com aquela mina, hein”;

- “Cara, o enterro da sua vó deu o maior ibope”.

Mesmo que a palavra não esteja mais explícita na forma de pensar e de escrever das pessoas, o Ibope, ou melhor, o gosto da opinião pública continua definindo quem vai para o trono ou não vai.

Tanto assim é que dezenas e dezenas de colunistas e jornalistas afirmam que o STF vai sofrer um “grande desgaste” por conta do julgamento do Mensalão.

O que eles estão querendo dizer é que ou os juízes e as juízas se submetem “às vozes das ruas” ou as suas vidas no Supremo se tornarão insustentáveis.

Como se julgamentos no STF fossem meros casos de buzinadas e abacaxis.

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