segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Será que ninguém saca qual é a do Jair Bolsonaro?


Crédito da foto: extra.globo.com 

O deputado federal Jair Bolsonaro aprontou mais uma de suas performances midiáticas ao bater boca e empurrar o também deputado federal Randolfe Rodrigues (PSol-AP).

Alguém já teve noticias de Bolsonaro agredindo homossexuais, correndo atrás de comunistas e de feministas na calada da noite, sem a presença de uma câmara de TV?

Não, né?

Mário Magalhães, em seu blog, hoje – “Entenda qual é o objetivo central da provocação de Bolsonaro” - http://blogdomariomagalhaes.blogosfera.uol.com.br/2013/09/23/entenda-qual-e-o-objetivo-central-da-provocacao-de-bolsonaro/) dá um toque esclarecedor nessa história.

Mas, antes, vamos a uma historiazinha bolsonariana.

Não era assim

Um internauta, comentando, semana passada, as presepadas de Bolsonaro, escreveu um testemunho interessante a respeito do tresloucado deputado fluminense.

Acho que foi no Advivo do Nassif ou no Vi o Mundo do Azenha, não me lembro mais.

Em tom de ironia dirigida ao próprio Bolsonaro, o internauta revela conhecer há muito tempo do deputado fluminense, mas que antes ele “não era assim”: não odiava comunista, não odiava feminista, não odiava negro, não odiava favelado etc. e tal.

Segundo o internauta, feito deputado, Bolsonaro passou a “jogar para a (sua) plateia” para continuar se reelegendo (Mário Magalhães diz isso também no texto abaixo).

Uma história puxa a outra

Como uma história puxa a outra, após ler o texto do internauta, acabei por me lembrar do depoimento do publicitário Ênio Mainardi sobre o seu filho Diogo Mainardi, então colunista da revista Veja e atual participante de um programa de TV.

Ênio dizia a Abujamra, do Provocações (TV Cultura/SP), que Diogo não era nada daquilo, que estava fazendo tipo, e, por isso mesmo, sendo pago pela Abril (hoje está sendo pago pela Globo).

Semanas mais tarde, o próprio Diogo confirmou mais ou menos a versão do pai, dizendo que aquilo era uma forma de ganhar dinheiro e de se manter ocupado.

Nada disso ameniza a truculência de Bolsonaro e a montanha de sandices que despeja Diogo Mainardi.

Mas, como disse William Shakespeare, “há mais mistérios entre o céu e a terra do que a vã filosofia dos homens possa imaginar".

O texto de Mário Magalhães

[Um dos grandes trunfos do deputado federal Jair Bolsonaro em suas cruzadas é a costumeira dificuldade que muitos dos seus antagonistas têm para identificar seus reais objetivos ou focos.

Nesta segunda-feira, o capitão da reserva (ou reformado; ignoro seu estatuto) do Exército Brasileiro empenhou-se aqui no Rio em atrapalhar uma visita civilizada às antigas instalações do DOI (Destacamento de Operações de Informações) do velho I Exército dos tempos da ditadura (1964-85).

Participaram da visita à unidade do Exército membros ou representantes da Comissão Nacional da Verdade, da Comissão da Verdade do Estado do Rio de Janeiro, do Senado e da Câmara dos Deputados. (Leia a cobertura do UOL aqui e aqui.)

Testemunhas afirmam que Bolsonaro agrediu fisicamente Randolfe Rodrigues _o deputado diz que “só empurrou” o senador. É possível que o gesto tenha consequências na Câmara, com pedido de cassação de mandato, mas não é disso que trato aqui. E sim do eixo da atuação mais recente do militar.

É verdade que ao provocar os visitantes Bolsonaro busca agradar sua base, na qual vicejam viúvas da ditadura, e reforçar as possibilidades de reeleição no ano que vem. O máximo que ele ambiciona é se manter na Câmara, pois sabe que propagandistas do antigo regime não se criam na disputa por cargos majoritários, em nenhum lugar do Brasil. Mas não é esse, vitaminar a candidatura vindoura, o seu propósito central hoje.

Nem o de reiterar sua agenda pela enésima vez. Todo mundo já sabe que ele é contra os gays e os ativistas que batalham para conhecer os crimes do Estado durante a ditadura. Não precisava fabricar mais um rififi para apresentar sua plataforma medieval.

Muito menos Bolsonaro pensou em estimular o debate democrático e tolerante, ao acusar os visitantes de recusar “o contraditório” no debate político. Na ditadura incensada pelo deputado, seus partidários resolviam “o contraditório” pendurando oposicionistas no pau-de-arara, executando-os a sangue frio e sumindo com os corpos. Estupravam jovens guerrilheiras, punham filhotes de jacarés para rastejar sobre seus corpos nus e as matavam empalando-as.

O problema fundamental para Bolsonaro e seus aliados hoje é a ameaça _para eles_ de a Comissão Nacional da Verdade sugerir julgamento e punição para autores de crimes imprescritíveis contra os direitos humanos, como a tortura e os desaparecimentos forçados.

Bolsonaro aplica-se em desenhar um cenário no qual haveria somente contendores radicais: ele e seus amigos contra os defensores de punição para os violadores de direitos humanos.

Assim, cresceriam as chances de a Comissão da Verdade não recomendar julgamento e condenação, procurando um falso meio-termo. Falta à comissão poder legal para punir. Mas seu relatório final terá influência sobre as ações do Ministério Público junto à Justiça e na possível reconsideração da Lei de Anistia pelo Supremo Tribunal Federal.

Se a Comissão Nacional da Verdade não sugerir punição, Bolsonaro terá atingido seu objetivo, com a eternização da impunidade.

Caso contrário, assistiremos à sua derrota.]

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