segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Os black blocs mexem com a libido das esquerdas



Quando os black blocs “entraram” (sic) na cena das manifestações de junho foram olhados com curiosidade.

Dias mais tarde, começaram a ser tachados de “vândalos”, e não por acaso a campanha contra os “vândalos” começou pela Rede Globo – de início pelo seu canal pago, a Globonews – e depois se espalhou tal qual uma praga pelos outros veículos de comunicação e pela sociedade em geral.

O impacto dessa transformação foi tão grande que muita gente preferiu se recolher e não mais sair às ruas para protestar.

A direita ficou primeiro perplexa, depois indignada (afinal, quem estava na rua tinha bons propósitos: derrubar o governo Dilma) e depois passou a fazer o que melhor sabe fazer: estigmatizar e criminalizar.

Nenhuma novidade, então.

Esquerda dividida

Os black blocs não causaram estragos apenas à direita. A esquerda também não sabe como tratar do fenômeno (importante, que surgiu há alguns anos na Alemanha) e fez o que sempre e de melhor faz: se dividiu.

De um lado, há quem veja os black blocs como um mal-em-si, como uma extensão da direita, massa de manobra dos conservadores; como gente que também está querendo derrubar o governo da presidente Dilma Rousseff.

De outro, os que acham válidos os comportamentos e as teses dos mascarados, que eles são a mais pura expressão da liberdade de manifestação, e que estariam mais afinados com a esquerda do que com os conservadores de direita – até porque atacam bancos e lanchonetes.

Os primeiros – os esquerdistas que detestam e demonizam os mascarados – se afinam mais com as teses marxistas tradicionais.

Os black blocs são anarquistas, niilistas, anti-Estado, jovens sem formação política e ideológica.

Os segundos – os esquerdistas que apoiam os mascarados – conhecem menos a história e as lutas intestinas que a esquerda leva a mais de uma centena de anos; conhecem pouco Marx e alguma coisa de Bakunin.

Marx X Bakunin

Mikhail Bakunin e Karl Marx travaram uma luta de morte.

O anarquista Bakunin fustigou Marx e a tese da “ditadura do proletariado”:

Anarquismo ou liberdade é a meta, enquanto o estado e a ditadura é o meio, então logo, com o objetivo de libertar as massas, elas devem antes ser escravizadas.”


Marx defendia a instalação do comunismo por meio da formação de um novo Estado controlado por trabalhadores, via ditadura do proletariado; pelo desenvolvimento social e econômico, o que culminaria na eliminação do governo e na adoção de um regime comunista.

Para Bakunin, todo e qualquer governo legitima uma nova classe no poder e cerceia as liberdades individuais.

Para o anarquista, a ditadura do proletariado, defendida por Marx, era uma mera reprodução do Estado liberal-burguês, e que não seria através dela que o ser humano chegaria à sua plena liberdade... muito pelo contrário.

Como se vê, no Brasil de hoje persiste a pendenga Bakunin X Marx.

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