segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O diabo existe e leva o nome de Dirceu



O Diário do Centro do Mundo (http://www.diariodocentrodomundo.com.br/por-que-a-direita-odeia-tanto-ze-dirceu/) faz uma interessante reflexão a respeito do ódio que parte da sociedade brasileira destila contra José Dirceu.

Para o DCM, a razão está na não sedução de Zé Dirceu pelo “1% (de brasileiros) que fez o país ser o que é: um dos campeões mundiais de iniquidade, a terra das poucas mansões e das tantas favelas”.

Para o blog, Zé Dirceu teria o perfil correto para “aderir” ao 1% por ser “articulado, inteligente, dado a leituras e bem apessoado”, mas não o fez.

O texto vai mais longe, e diz que José Dirceu é mais odiado – por essa camada da população, que não sei se neste momento se resume a 1% - que Lula da Silva.

Afinal, Lula tem o perfil de quem vai para a esquerda e nunca mais sai dela: nasceu pobre, nordestino, migrou para São Paulo, trabalhou em fábrica, foi sindicalista e tem – como diria
Fernando Henrique Cardoso para justificar uma possível descendência africana – “um pé na cozinha”.

O texto do DCM não tem bases sociológicas ou filosóficas para afirmar o que afirma, mas não deixa de ter um pouco de razão.

Há uma tendência a que esquerdistas na juventude acabem por dar uma guinada à direita, assim que se tornem adultos, e especialmente se forem brancos e de classe média.

Exemplos não é preciso citar aqui, pois eu, você e todo mundo conhece centenas, senão milhares, de exemplos.

Há um dito popular que diz o seguinte: o sujeito nasce, cresce, fica bobo e casa.

Menos que um ataque ao casamento, o que o ditado quer dizer é que com o tempo as pessoas ficam mais acomodadas, mais conservadoras.

O diabo existe e não muda

No sítio Catholic Web Services, no que diz respeito ao Padre Pio (que lutou denodadamente com o diabo) diz-se que: “O diabo existe e seu papel ativo não pertence ao passado e não pode ser reduzido ao espaço da fantasia popular. Na realidade, o diabo continua a induzir os homens ao pecado mesmo hoje.” - http://www.padrepio.catholicwebservices.com/PORTUGUES/O_Diabo.htm.

Há alguns anos, exatamente quando começaram as denúncias do “Mensalão do PT”, um sujeito resolveu entrar na onda da demonização de José Dirceu.

Meu argumento foi a de que gente como Zé Dirceu se imbuiu de uma “missão na Terra” e dela não abre mão.

O sujeito contra-argumentou que esse tipo de gente (militante) não existe mais, que isso era coisa do passado.

Não deu mais para levar a discussão adiante, não porque a argumentação do meu opositor fosse irrefutável, muito pelo contrário.

Ele não tem histórico de militante, de gente que tem um objetivo a dar à sua existência.

Não ia mais perder tempo em continuar discutindo, e não continuei.

Como matar o diabo (?)

Na tradição cristã, nem Jesus conseguiu dar um fim no diabo.

Uma leitura mais atenta das “escrituras” mostra, inclusive, quantas vezes o diabo enganou e passou a perna em Jesus Cristo.

A única saída encontrada pelo cristianismo foi a demonização do demo, ou, para usar uma palavra da moda nos movimentos sociais, “criminalização”.

Quantos de nós não conhece centenas de casos de criminalização das pessoas:

- aquela putinha, vaca, vagabunda, galinha;

- aquele maloqueiro, marginal, bandido.

É gente cuja vida (caso não consigam escapar de seu meio social) vai virar um verdadeiro inferno; terá dificuldades para arrumar empregos e amigos; não será, amiúde, convidada para eventos onde “os homens e as mulheres de bem" se reúnam.

Independente da simpatia ou da antipatia que se tenha por José Dirceu e por seus métodos de fazer política, numa coisa o DCM está certíssimo: há um processo insano de demonização do político petista.

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