quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Julgamento do Mensalão: insanos, insanidades e outras insânias




Crédito da foto: www.jornaldaparaiba.com.br 

O jornalista Jânio de Freitas, na sua coluna de hoje no jornal Folha de São Paulo (“Agora, a pressão do resultado” - http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/129750-agora-a-pressao-do-resultado.shtml) recupera dado recente do instituto DataFolha, registrando que “apenas 19% dos paulistanos”... “se dizem devidamente informados sobre o mensalão”.

O instituto Sensus, que até pouco mais de um ano realizava as pesquisas para a Confederação Nacional do Transporte (CNT), incluía vez ou outra questões sobre o conhecimento ou não da população a respeito de algum assunto momentoso e/ou controverso: o/a senhor/a conhece ou já ouviu falar de tal assunto?

No geral os resultados nunca passavam dos 20% (sim, conheço / sim, ouvi falar).

Nada disso, no entanto, constrange as pessoas de ter “aquela velha opinião formada sobre quase tudo”.

“Não sei exatamente do que se trata, mas acho que...”

Estamos na era do opinismo, na era do pitaquismo: temos aquela velha opinião formada sobre quase tudo.

A isso se dá o nome de “liberdade de expressão”.

Confirmando o que eu já sei

Como diversos estudiosos já apontaram, a maioria das pessoas não vai atrás de notícias para conhecer fatos novos e/ou para colher outras opiniões (diversas) para formar a sua.

Lê jornal, acessa a internet, assiste ao noticiário da TV para confirmar “aquilo que ela já sabe”, para dar mais substância e robustecer os seus conceitos e pré-conceitos.

Uma notícia ou uma opinião diferente da sua é passível de uma enxurrada de críticas: “vendido”, “traidor”, “vergonha nacional” etc. e tal.

Anjos de demônios no panteão

Do início do julgamento da AP 470 (Mensalão), no primeiro semestre do ano passado, até as sentenças proferidas pelos senhores e pelas senhoras juízes e juízas do Supremo, vimos a construção de um panteão povoado por três espécies de seres.

Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes, Carlos Fux, Marco Aurélio Mello e Celso de Melo – para a quase unanimidade da imprensa e para boa parte da “opinião pública” – eram os mantenedores da ordem, os reformadores da moral; quem iriam colocar na cadeia os mensaleiros e acabar, finalmente, com a roubalheira do dinheiro público no País.

Um segundo grupo, formado por duas mulheres – Carmem Lúcia e Rosa Weber – era composto por figuras titubeantes, frágeis, passiveis de manipulações.

Há um machismo medonho embutido aí.

Por fim, um terceiro grupo - Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli – composto por vendidos, traidores e outras delicadezas.

Mudando-se os observadores (agora petistas e apoiadores do lulo-petismo) enxerga-se no primeiro grupo direitistas, conservadores, reacionários e por aí a fora.

As ministras continuam no limbo do panteão, e Lewandowski e Dias Toffoli são democratas, que prezam pelo Estado de Direito, pela observância dos preceitos constitucionais e pelo respeito aos direitos humanos.

Neo-demônio, neo-herói

Incensado pela imprensa e por parte da opinião pública por seus duros votos contra os réus do Mensalão, isso até as 14 horas de ontem, Celso de Melo transformou-se, em menos de 3 horas, em vendido, traidor, sacana, de atitude vergonhosa, pelo simples fato de que garantiu a 12 dos réus (com seu voto de minerva, pode-se dizer assim) o direito aos embargos infringentes.

Doutro lado, à esquerda, num piscar de olhos, Celso de Melo deixou de ser aquele algoz implacável, arrogante, o primo distante do ex-presidente Fernando Collor de Mello, que sempre vota contra os interesses da população, para se transformar no neo-guardião da Constituição, no novo herói das esquerdas e dos petistas, num defensor dos pobres e oprimidos.

Como se vê, “nada de novo no front”.

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, dependendo obviamente de como ela me afeta e me contraria ou não.

De relevante há que a tal da “opinião pública” continua mal informada; conhece muito pouco ou quase nada dos meandros da política, da justiça, do País em que vive e dos direitos fundamentais do ser humano.

Tudo isso posto fica fácil de entender porque ela, a opinião pública, é passível de ser manipulada – pelos espertos de um lado ou de outro – e de embarcar em canoas furadas como a aventura collorida e a demonização de argentinos, por exemplo.

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