segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Jornalista da Globo diz que a Terra é plana




Crédito da foto: www.ufologiaobjetiva.com.br

Ontem à noite vi a jornalista Renata Lo Prete, editora de política da Globo News, tentando explicar as manifestações do sete de setembro no Jornal das Dez da emissora.
 Quando vejo alguém tentando explicar alguma coisa como ela, fico imaginando:
 - se ela acredita mesmo no que está dizendo;
 - se ela não acredita e apenas diz o que alguém mandou que dissesse;
 - se ela meio que acredita, e meio que diz o que alguém mandou que dissesse.
 Estou indeciso entre a segunda e a terceira hipóteses.
 Nenhum ser humano que tenha domínio de suas “faculdades mentais” (como se dizia em Cotia, antigamente) diz o que ela disse sem ao menos corar.
Resumindo a história: ela não viu fiasco no bate-panela do sete de setembro e que as manifestações vão continuar acossando “os políticos”.
 Há coisas relevantes aí.
 Por políticos, gente como a editora de política quer dizer a presidente da República, alguns governadores e o Congresso Nacional.
 Trata-se de um minimalismo miserável.
 Que as manifestações de rua vão continuar, até Dona Maria, a Louca, debaixo de sete palmos de terra há um bocado de anos, sabe que sim.
 Se é para não contar novidades, pra que fazer jornalismo?
 As manifestações
 O que pega nas análises dos analistas (a recorrência é proposital) é que eles não dizem lé com cré, não conseguem juntar o tico com o teco.
 Frente a essa profunda incapacidade analítica o mais fácil é tratar tudo como uma terra arrasada por um furacão medonho.
 - todos os atos violentos nas manifestações foram praticados pelos vândalos;
 - todos os manifestantes querem um Brasil melhor (seja lá o que isso queira dizer);
 - As manifestações que se iniciaram em junho e chegam até este setembro são uma coisa só na sua essência e na sua substância, ao exprimir o descontentamento popular.
 Uau!
 Dizer isso pra gente é nos tratar como idiotas.
 Os de nós que acreditam nessa baboseira toda são idiotas mesmo.
 As manifestações de junho
 As manifestações de junho foram deflagradas pelo Movimento Passe Livre (MPL) contra o aumento de 0,20 centavos nas passagens urbanas em São Paulo.
 Não vai se perder mais tempo por aqui esmiuçando a origem do movimento, a quem o movimento está ligado, quais os propósitos do movimento etc. e tal, pois tudo isso já está esmiuçado não apenas neste afalaire como em jornais, blogs, revistas, rádios, TVs e sites.
 Apenas não conhece essa história quem ressuscitou recentemente depois de estar morto por pelo menos uma década.
 As manifestações pós 13 de junho
 Até então não se via falar nos black blocs e pouco dos mascarados anônimos.
 Porém, no dia 13 de junho, o simpático e lépido governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, botou o bloco (da PM) na rua, e mandou baixar porrada.
 A partir do 14, o que era uma manifestação por tarifas se transformou em grandes batalhas de ruas, especialmente no Rio de Janeiro e em Brasília, com a simpática rapaziada do black bloc e dos mascarados anônimos em ação, além de milhares de pessoas, com pautas e reivindicações difusas, denominadas (pejorativamente) de coxinhas.
 Já para o final da segunda semana do pós 13 de junho entram em cena os raivosos da direita.
 As manifestações dos raivosos
 O que se viu de lá pra cá foi um refluxo dos “coxinhas” (que sumiram das ruas), o recuo do MPL e as manifestações sendo formatadas, dirigidas e executadas por grupos paramilitares, por ex-militares e por militantes de partidos conservadores, como forma de manter a pressão sobre os governos, mas especialmente sobre a presidente Dilma.
 Simpaticamente isso tudo terminou no grande fiasco de sete de setembro, quando era prevista a participação de quase 50 milhões de pessoas.
 Era.
 Agora, tratar tudo isso como se fora uma massa de pão, como fez a editora de política da Globo News, é acreditar (ou querer que alguém acredite) que a Terra é plana, e que o mar termina no horizonte, quando ele cai para o infinito.
 Quem precisa desse tipo de jornalismo?

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