segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Dilma ganha fácil sem Marina Silva (?)



É isso que gente ligada ao PT está prevendo para a eleição presidencial do ano que vem.

Recuperando o que já se disse por aqui:

“Feitas todas as contas, a única chance de Marina tornar-se presidente é ir para o segundo turno contra Dilma Rousseff.”
“Na direção oposta, a única chance de Aécio tornar-se presidente e repetir o que fez FHC é ganhar as eleições em primeiro turno, derrotando, portanto, Dilma e Marina.”
As dificuldades do PSDB na eleição presidencial de 2014” - http://afalaire.blogspot.com.br/2013/09/as-dificuldades-do-psdb-na-eleicao.html).

O raciocínio petista é reto e plano: sem Marina Silva, Dilma leva a eleição no primeiro turno ano que vem.

A esperança é...

Bem... é um raciocínio razoável, mas mais para esperançoso, tipo torcida de futebol.

Foi isso que levou milhares de corintianos ao Japão, ano passado, e acabou funcionando.

Resta saber se funciona numa eleição presidencial.

Também se disse por aqui (Zé Serra vem aí de novo (?) - http://afalaire.blogspot.com.br/2013/09/ze-serra-vem-ai-de-novo.html) que o político paulista José Serra é “um dado novo (novo!?) na corrida presidencial”, pois aparece na pesquisa do “Instituto Paraná” em terceiro (18,5%), “na frente de Aécio Neves (11,1%) , mas suplantado por Marina Silva (19,6%) e Dilma Rousseff (32,1%)”.

Se os petistas são esperançosos, os tucanos também, já que estão somando os 18,5 de Serra com os 11,1% de Aécio, para chegar a 29,6%, quase alcançar Dilma e ir para o segundo turno.

Problemas de matemática

Há problemas nessas contas todas em ambos os lados.

Comecemos pelo lado tucano.

Além de somar como dois cada voto que vai para o PSDB, a somatória tucana não avalia corretamente o fator Marina Silva, que está incluída na pesquisa paranaense.

A questão é o que fazer com os 19,6% marinistas.

Sem ela, todos os seus votos vão naturalmente para o ninho tucano?

Quem garante isso?

O lado petista, inconscientemente ou não, está contando com uma (improvável) substituição de um número tucano pelo outro (18,% por 11,1, e vice versa).

Na torcida por Dilma, não passa por suas cabeças (como fazem os tucanos) somar uma coisa com a outra, com as distorções apontadas logo acima.

Coisificação da lógica eleitoral

No pós-Ditadura, as eleições presidenciais brasileiras criaram a sua lógica.

A primeira é que votar para presidente é radicalmente diferente de votar para governador de Estado, que por sua vez é radicalmente diferente de votar para prefeito.

Aí se pode dizer, tranquilamente, que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa; e que esta segunda coisa é diferente de uma terceira coisa.

É a coisificação da política (aqui no sentido de relativizar a vontade do eleitor, submetendo-a a interesses específicos).

A segunda lógica é que, para presidente, o brasileiro vota mais à esquerda (FHC, Lula e Dilma) ou numa figura controversa (Collor de Mello) que, aparentemente, se oponha às elites e aos desmandos da classe política.

É de se notar aqui, então, que Dilma, Serra, Marina e até Eduardo Campos vestem o primeiro modelo.

Aécio já está mais para Collor de Mello, em toda a sua complexidade.

Com isso quer se dizer que a eleição não deve registrar surpresas.

Terceira essência

Há uma terceira lógica (na qual se apega o PSDB e que apavora um bocado os petistas) que é a tripartição dos votos.

O que se tem visto nas eleições presidenciais mostra o seguinte:

- 30% dos votos são petistas;
- 30% dos votos são anti-petistas;
- 40% dos votos são disputáveis.

Está se falando aqui, obviamente, dos votos válidos, excluindo-se os ausentes, nulos e brancos.

Com Marina no pleito ou fora dele são os seus votos (pelo menos na sua intenção) que acabarão por decidir se Dilma fica ou não no Palácio do Planalto.

O mantra petista (de herdar naturalmente os votos marinistas) é um mantra de esperança.

E sonhar não custa nada.

Mas é só sonho.

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