sábado, 14 de setembro de 2013

As dificuldades do PSDB na eleição presidencial de 2014




Crédito da ilustração: www.faroldenoticias.com.br 

Desde a sucessão da dupla Collor Mello/Itamar Franco que PT e PSDB se engalfinham para ver quem vai para o Palácio do Planalto.

Os tucanos foram duas vezes com FHC, em ambas vencendo Lula da Silva.

Os petistas, três: duas com Lula, vencendo Serra e Alckmin, e uma com Dilma, vencendo Serra.

Naturalmente esperava-se para 2014 nova batalha entre os dois partidos, mas alguma coisa mudou em 2010, com a entrada em cena de Marina Silva, ex-PT, na época no PV e, quem sabe?, em 2014 na Rede Sustentabilidade.

Irmãos siameses

Embora nenhum dos dois goste de admitir, o PT (1980) e o PSDB (1988) são galhos da mesma árvore (ideológica).

- ambos nasceram das lutas contra a Ditadura Militar;

- ambos têm forte apoio na esquerda católica;

- ambos possuem em seus quadros pesquisadores, pensadores e professores universitários importantes e de renome.

Outra característica comum a ambos os partidos é que são de centro-esquerda (embora os petistas odeiem admitir isso), com alguma tintura marxista-leninista.

PT e PSDB também deram quinadas perceptíveis e importantes para o centro.

Mais os tucanos que os petistas, mas estes se burocratizaram mais profundamente que os tucanos.

Raio de ação

O PT nasce das grandes greves dos anos 70.  Tinha, em seu início, trânsito quase livre entre a peonada e os chamados barnabés (funcionalismo público); além de forte penetração entre os estudantes (especialmente os universitários) e professores do terceiro grau.

O PSDB era o partido da classe média, também com trânsito junto a estudantes, professores, além de artistas e pequenos empresários.

Dois segmentos sociais, porém, ficaram longe de ambos os partidos: os moradores das periferias das cidades e o campesinato.

Não por acaso, foram as periferias e os sertanejos quem ajudaram Collor de Mello a se eleger, derrotando, entre muitos, Mário Covas e Lula da Silva.

Se ambos viram a necessidade de o partido avançar para a periferia e para o campo, o PT tinha mecanismos melhores para fazê-lo: as organizações sociais.

O PSDB até conquistou votos nesses segmentos (nas duas eleições de FHC), votos estes carreados pela Arena/PFL (hoje DEM).

Sobre a cabeça petista ainda pairava o “perigo comunista”, a expropriação de terras e bens da burguesia e da classe média alta.

Mudou, mudando

Sozinho o PSDB não tinha forças para avançar, por si só, para as periferias e pelos interiores.

Era almofadinha demais, urbano demais para convencer gente pobre da cidade e do campo de que daí viria alguma coisa que lhes beneficiasse.

Com o distanciamento cada vez maior da Guerra Fria, os aliados do PSDB (Arena/PFL) ficaram sem bandeira para “assustar os pobres”, ameaçados de perder (bens materiais) aquilo que já não tinham.

No poder, com Lula, o PT se aproveitou muito bem do vácuo e implementou um sem-número de programas sociais que acabaram por beneficiar as classes médias (Alta, Média e Baixa) e os pobres e muito pobres.

Debacle tucana

Sem bandeira ideológica, os tucanos também não souberam o que propor para enfrentar os programas sociais petistas.

Propor o que o PT já fazia suscitaria uma pergunta primária: então por que mudar?

Para piorar a situação, o candidato José Serra (na eleição de 2010) ameaçou acabar (caso vencesse) com as Conferências Nacionais implantadas por Lula da Silva, em seus dois governos (57 ao todo).

Ora, são as conferências nacionais (e as estaduais e regionais também) que fazem a ligação direta entre a sociedade civil (organizada) com o governo federal.

É uma espécie de ensaio para a migração da democracia representativa (essa que aí está e da qual a maioria das pessoas reclama) para a democracia participativa.

Não se sabe de quem foi a ideia serrista, se do próprio Serra (o que é muito provável) ou do partido e de assessores.

Mas que foi uma ideia estúpida disso não se duvida.

É tempo de Marina

É nesse espaço, nessa frincha deixada pelos tucanos que Marina Silva se meteu.

Se formos olhar para todas as pesquisas de intenção de votos feitas até agora, a política acreana aparece em segundo, apenas atrás de Dilma.

Com isso, o provável candidato tucano, Aécio Neves, fica em terceiro, bem distante de Marina e muito, muito distante de Dilma.

OK. Falta mais de um ano para a eleição presidencial de 2014, e muita coisa pode mudar.

Pode, especialmente se Marina não conseguir viabilizar a sua Rede (falta ainda o registro de mais ou menos 88 mil assinaturas).

Caso consiga, a situação do PSDB (pelo menos por ora) é insustentável eleitoralmente.

Por onde anda Marina

Marina Silva é acreana, foi analfabeta até os 16 anos, casou-se precocemente, contraiu um sem-número de doenças, militou nas Comunidades Eclesiais de Base, da Igreja Católica, atuou ao lado de Chico Mendes na luta pelos povos da floresta, foi petista, passou para o PV, agora quer fundar a Rede de Sustentabilidade, e deixou o catolicismo para virar protestante.

A força de Marina está na sua espetacular luta pela sobrevivência e ascensão social; na sua candura e na sua honestidade.

Seus votos vêm dos desvalidos e de militantes dos movimentos ambientalistas.

É a partir daí (do ambientalismo) que Marina chega às áreas urbanas, e a parte das estratificações médias da sociedade.

Mas Marina também tem outro trunfo importante: os “crentes”, os “protestantes”, os fieis das igreja neopentecostais.

Tudo isso lhe valeu pouco mais de 20% dos votos em 2010, e deve lhe valer, em 2014, 30% ou um pouco mais.

O alvo é tucano

Ao contrário do que a insanidade petista deixa parecer nos seus ataques à política acreana, o adversário de Marina (pelo menos no primeiro turno em 2014) não é Dilma, mas sim o tucano Aécio Neves.

Feitas todas as contas, a única chance de Marina tornar-se presidente é ir para o segundo turno contra Dilma Rousseff.

Na direção oposta, a única chance de Aécio tornar-se presidente e repetir o que fez FHC é ganhar as eleições em primeiro turno, derrotando, portanto, Dilma e Marina.

Como bandeira eleitoral, a Aécio Neves resta o surgimento de um fato novo, devastador, que derrube o PT de seu pedestal.

Fato novo que teima, pelo menos até agora, em não aparecer.

Se a vida continuar nessa toada, o País verá, pela primeira vez, um candidato tucano não chegar ao segundo turno numa eleição presidencial.

Isso se houver segundo turno ano que vem.

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