terça-feira, 10 de setembro de 2013

A Rússia passou a perna em Barack Obama (?)


Crédito da foto: blogs.telegraph.co.uk  

É possível entender que a Rússia deu um nó, ou uma volta, ou um beiço no presidente norte-americano, Barack Obama, nessa história das armas químicas da Síria?

É possível. Tudo na vida é possível, até aquilo que parece impossível.

Mas não dá para acreditar muito nisso não.

Parece mais uma intrincada jogada (de risco) do que qualquer outra coisa, onde o presidente dos EUA e os governos russo e sírio são protagonistas.

É fácil de entender que Barack Obama será bombardeado pelos republicanos, por aqueles chatíssimos comediantes de TV e até mesmo por democratas.

É a sua paga por essa história toda enrolada.

Como ele está no segundo e último mandato não deve estar muito ligando para as reações, isso no que diz respeito a ele mesmo.

A questão a se ver no futuro é como o imbróglio vai repercutir na luta pela sua sucessão.

Obama é um pacifista. Menos pelo prêmio Nobel da Paz que ganhou, mas muito mais por suas convicções.

É a política, idiota

A política é a coisa mais suntuosa em que um ser humano pode se meter.

As artes plásticas, o teatro, o cinema, a literatura, o jornalismo, todas essas atividades do intelecto humano dedicam boa parte dos seus esforços à política.

O teatro de William Shakespeare (1564 /1616) é todo ele político.

Intrigas, golpes, contragolpes, falcatruas, arranjos, amantes, mortes, assassinatos – não há enredo melhor e mais variado que esse, e foi isso que William Shakespeare esmiuçou com nitidez.

Barack Obama não é vítima da esperteza russa, nem da malandragem de Bashar al-Assad, nem refém dos falcões de Washington e da indústria armamentista norte-americana.

Também não foi vítima de uma suposta trapalhada do secretário de Estado, John Kerry, ou da rapidez mental do ministro de Relações Internacionais russo, Sergei Lavrov, e do chanceler da Síria, Walid al-Moualem.

Obama sabe que se meter com a Síria é uma roubada. E sabia que se meteria nessa ou noutra enrascada mais cedo ou mais tarde.

É nesse cenário previsível que ele tem de se virar.

E está se virando.

Santa ingenuidade

Por ingenuidade, por má-fé ou por uma conjunção das duas coisas, muita gente acha (ou pelo menos diz que acha) que a política deveria ser uma coisa a ser praticada às claras, de portas abertas, de maneira a que todas as pessoas (comuns?) pudessem saber o que está acontecendo; e pudessem (os comuns) dar os seus pitacos nas tramas e tramoias que a cercam.

Ó doce ilusão. Ó santa ingenuidade.

Está-se falando de seres humanos, de interesses financeiros, de luta pelo poder; de idas e de vindas; de golpes e contragolpes; de dominação e de subordinação.

Enfim, está-se falando da vida.

E a única coisa que não cabe na vida são os ingênuos.

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