segunda-feira, 16 de setembro de 2013

A elite brasileira está mais insana e raivosa



Normalmente leio os comentários dos senhores e das senhoras internautas quando se trata de um assunto momentoso e importante: o câncer do Lula, a queda na popularidade da Dilma, a ameaça de ataque à Síria, as presepadas autoritárias do Rogério Ceni, a descoberta de uma nova tribo (sic) indígena, os atrapalhos da política externa do Barack Obama, e por aí vai.

Não me interessa o que se pensa sobre jogos de futebol, seleção brasileira, ricos & famosos e outras baboseiras do gênero.

Para os primeiros casos (em que leio os comentários) o que move não é a possibilidade de conseguir uma opinião minimamente sensata dos senhores e das senhoras internautas. Talvez me falte uma varinha mágica ou uma bola de cristal.

O que se lê robustece uma velha tese de que o brasileiro é socialmente insano, politicamente conservador, ideologicamente confuso.

Isso posto, não fui ler os comentários dos senhores e das senhoras internautas sobre a morte de Luiz Gushiken.

Já sabia o que leria, e meu fígado não anda lá às mil maravilhas, justamente agora que estou próximo à Pior Idade.

Esperança e insanidades

Não li os comentários, não sim um texto do blog Diário do Centro do Mundo, e vi, como era esperado, que boa parte (a maioria) dos senhores e das senhoras internautas se referiu a Gushiken como “verme”, “bandido” etc. e tal.

Perplexo, o DCM pergunta: “Que tipo de leitores a mídia está atraindo?

Mas faz concessões:

Tenho para mim (DCM) que esta é uma fração dos brasileiros, e cada vez menor. Se não fosse assim, Serra – a grande esperança branca desse tipo de gente — seria presidente da República ou, ao menos, prefeito de São Paulo. E Joaquim Barbosa seria seu sucessor, numa chapa com Gilmar Mendes. (O STF na versão inicial sob JB, aliás, representava juridicamente aquele lamentável tipo de brasileiro.)

Distorção

Respeito um bocado o Paulo Nogueira, o editor do DCM e meu ex-colega de faculdade, mas sou obrigado a reconhecer que ele sofre dos mesmos males do jornalismo e dos jornalistas.

Emir Nogueira (pai de Paulo Nogueira e nosso professor na Casper Libero, em SP) costumava dizer que os jornais paulistas cobriram a capital como se fora um relógio, cujos ponteiros eram as avenidas Paulista e Rebouças (quem não conhece São Paulo, paciência) e só se preocupavam com um quarto do relógio, a área dos Jardins.

Me lembro de ter contraposto na época que os jornalistas paulistas viam São Paulo e o restante do País como se fossem um presunto cortado em fatias, e só se preocupavam com as fatias superiores do embutido.

O que se quer dizer aqui é que os jornalistas brasileiros não conhecem o Brasil e a sua multifacetada população, e nem se interessam por eles.

A insanidade crescente

Ao contrário do que parece mostrar as recentes vitórias do PT sobre a ”esperança branca”, que seria José Serra (e outros tucanos também), não é a diminuição da “fração de brasileiros” (“cada vez menor”) que explica o fenômeno.

Ao contrário. Há 10 ou 15 anos era ainda possível encontrar entre parentes, amigos e colegas de trabalho gente com posições político-ideológicas menos radicais, menos raivosas , menos rancorosas.

Esse número de gente (radical, raivosa, rancorosa) cresceu exponencialmente no período que coincide com os três governos petistas.

A discussão aqui, não é se o cara é petista, ou tucano, ou democrata. Ou se é de esquerda, de centro ou de direita.

A questão é o que sai da sua boca, do seu teclado; e isso sai diretamente da sua mente, das suas crenças, dos seus conceitos, dos seus pré-conceitos.

O que explica então?

O que explica é a ascensão das camadas vulneráveis da população que somam (as camadas) mais de 50% da população nacional, e que não se veem representadas pela “elite branca” e não têm qualquer afinidade ideológica com os “esperançosos brancos”.

Quem contem essa verborragia agressiva dos “conservadores brancos” (sic) são os desvalidos da terra, os miseráveis, os pobres, a baixa classe média.

Não fossem eles, não apenas governos ditos de esquerda não teriam chegado ao poder, como é muito provável que muita dessa gente (esquerdistas, líderes comunitários, defensores de direitos humanos, pais-de-santo etc.) já tivesse sido justiçada em praça pública.

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