domingo, 22 de setembro de 2013

A defesa de José Dirceu feita por Ives Gandra muda alguma coisa (?)


Crédito da foto: amantesdavida.com.br

Essa é a pergunta que está rolando pelas redes sociais por conta o entrevista do jurista à Mônica Bergamo, para a Folha de São Paulo deste domingo (“Dirceu foi condenado sem provas, diz Ives Gandra” - http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/130274-dirceu-foi-condenado-sem-provas-diz-ives-gandra.shtml).

Ives Gandra é conservador, católico ligado à Opus Dei, anti-comunista, adversário ferrenho do Partido dos Trabalhadores, e já se envolveu em embates calorosos com José Dirceu, de quem diz ser amigo (apesar de tudo).


E dá suas explicações:

“Por que agora e não antes?”

“Minha impressão é que Gandra, de alguma forma, sabia que as portas da mídia sempre tão abertas se fechariam para ele caso defendesse Dirceu e acusasse o STF de má conduta.”

Festejado “esquecido”

Tão festejado pela Veja, Ives Gandra e sua entrevista à FSP foram literalmente esquecidos pela revista, especialmente pelo blogueiro Reinaldo Azevedo, que tem tanta ou mais antipatia pelo petismo quanto o jurista.

Nas suas postagens de hoje, que sempre são muitas, lê-se:

- De volta aos atentados terroristas praticados pela Al Qaeda eletrônica contra cinco atrizes. Ou: As redes sociais como território da intolerância política
— Partido de Marina sofre revés da Procuradoria-Geral Eleitoral. Rede tem de decidir se existe uma conspiração contra a legenda ou se está pedindo julgamento de exceção
— Mantega vai parar de calcular o crescimento brasileiro com margem de erro de três pontos para menos?
— A demissão do assessor de Ideli, a pergunta que grita e a privatização do Estado
— Stálin se encontra com ciberespaço. É o petismo e seus serviçais na rede
— ATENÇÃO! DADOS SOBRE DROGAS DA FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ AFRONTAM A ARITMÉTICA ELEMENTAR OU: PARA A FIOCRUZ, MACONHA NÃO É MAIS DROGA?
— Rede suja a serviço dos mensaleiros demoniza atrizes que ousam protestar contra resultado do julgamento
— Quando a idiotia se junta com a má-fé remunerada
— Governo só aplicou 11% do previsto em programa de prevenção ao uso de drogas
— “O papa Francisco é o mesmo Bergoglio que disse para defendermos o nascituro ainda que nos perseguissem e matassem”
— Cadê as ruas? A turma do “não é pelos 20 centavos” deveria lançar o movimento “Não é pelos R$ 170 milhões”
— Fux: mensalão volta à pauta tão logo defesa e MP se manifestem
— Leia a íntegra da entrevista do papa. Sua fala não é a melhor, mas conteúdo sobre aborto foi miserável e escandalosamente distorcido
— A entrevista que concedi nesta quinta ao “Jornal da Gazeta”
— Manifestantes mandam pizzas para Lewandowski. Que tal frango com polenta?
— Será que é tudo culpa da suposta espionagem que os americanos fizeram na Petrobras?
— Cadê o programa mágico de Dilma contra o crack? Ou: Números revelam o tamanho da irresponsabilidade dos defensores da descriminação das drogas

Rede suja

Portanto nada da entrevista de Gandra.

Azevedo preferiu atacar as ironias contra as atrizes globais e identificar uma tal de “Rede suja a serviço dos mensaleiros”.

Não por acaso, um de seus leitores (ou leitora, não dá para saber) identificado/a apenas como Rudi prega:

“Utilidade Pública para quem usa o Facebook. Prestem atenção e, se possível, ajudem a denunciar os perfis falsos. É fácil reconhecê-los, pois o programa robô que os cria apela sempre para um perfil com três nomes “sérios”. Por exemplo: Pedro Moreira Sá, Raquel Molina Queiroz, etc...”

Os leitores de Azevedo querem a volta da Ditadura Já.

Esculhambar José Dirceu, comunistas, chavistas, petistas e etc. pode.

Criticar quem os critica, pode não.

O que pode mudar

A entrevista de Ives Gandra à Mônica Bergamo pouco efeito pode ter na continuidade do julgamento do Mensalão ano que vem.

Quem, entre os juízes, quer longa prisão para os Mensaleiros, já tem opinião firmada e reconhecida, e dificilmente vai mudá-la.

Entrou-se num cabo-de-guerra no Supremo, e o que vamos assistir em 2014 serão longas escaramuças recheadas de eruditismo.

Talvez um artigo ou uma entrevista, ano passado, de Ives Gandra pudesse trazer luzes novas aos julgadores.

Agora, é pouco provável.

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