sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Trilogia Millennium: o lixo que vem da Suécia



Quando fui chefe de redação do jornal Diário do Amazonas (Manaus) uma repórter me apareceu com uma matéria escrita em 17 laudas (aquelas de papel).

As laudas tinham 35 linhas, e cada linha, 75 caracteres (toques).

Não era uma matéria de jornal. Era quase um livro.

O assunto era portentoso, pois envolvia um dos filhos do então governador Gilberto Mestrinho metido numas estripulias noturnas perto do Teatro Amazonas.

Normalmente rasgaria as 17 laudas e mandaria a repórter caçar o que fazer da vida, mas o assunto merecia realmente alguma consideração.

Reescrevi o texto, diminuindo-o para uma lauda e meia, e o publiquei.

No dia seguinte a repórter entrou furiosa na sala do editor, que me chamou para saber o que tinha acontecido com ”tanta informação boa assim”.

A repórter resmungou, e confiando que o editor a apoiava, me xingou.

Fui humilde.

Disse que “tá bom! Vou reescrever (mais uma vez) a matéria e republicá-la na edição de amanhã”.

“Vai ser um pouco mais curta. Vai ter um parágrafo de umas seis linhas que é o que tem de relevante no material que a moça escreveu” e saí da sala.

Lis­beth Salan­der

Confesso que me esforcei um bocado para ler a Trilogia Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres, A Menina que Brincava com Fogo e A Rainha do Castelo de Ar, de Stieg Larsson.

Parei na metade do segundo livro e não vou mais em frente.
A saga lisbetiana é uma baboseira sem tamanho.

Se Larsson não tivesse o ego do tamanho da Via Láctea ele poderia ter poupado os seus leitores da sua idiotice pós-moderna, dos seus devaneios sexuais e de sua militância feminista.

Tudo o que escreveu – com ressalvas – caberia na lauda e meia que dediquei à repórter amazonense.

A única qualidade dos textos de Larsson é que ele tenta repetir Alexandre Dumas, com seus heróis incríveis, jornadas portentosas e fatos inverossímeis. Afinal, trata-se de ficção, pois não?, mas ficção de baixa qualidade.

A diferença é que o herói de Larsson não é um macho bigodudo, mas uma hacker anoréxica e ridícula: Lis­beth Salan­der.

Ao molde dos heróis de Dumas, Salander sofre, mas escapa heroicamente de todas as arapucas da vida.

É safa e mais inteligente que todo o resto da humanidade.

Moderna (sic), é uma heroína do pós-capitalismo, niilista e consumista.

Resumindo a história: é um pé no saco.

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