segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Marina tem programa para governar o País (?)



O ótimo jornalista (e às vezes ingênuo) Ricardo Kotscho lança, no seu Balaio, perguntas que não querem calar: “E se Marina ganhar? Como e com quem vai governar?” - http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2013/08/12/e-se-marina-ganhar-como-e-com-quem-vai-governar/).

Sigamos o que diz Kotscho com observações deste afalaire.

O texto de Kotscho vai – em seus trechos – entre aspas e em negrito.

A Rede

“O menor dos problemas de Marina Silva no momento é conseguir completar as 491.656 assinaturas necessárias para registrar a sua Rede Sustentabilidade como partido até o próximo dia 5 de outubro no Tribunal Superior Eleitoral.”

“Até agora, a RS conseguiu certificar cerca de 200 mil assinaturas nos cartórios eleitorais, das cerca de 850 mil que afirma ter coletado, como Marina informou em entrevista coletiva neste domingo, após seu nome aparecer em segundo lugar no Datafolha, subindo de 23% para 26% e confirmando que, mesmo sem partido, a ex-senadora do PT é até agora a principal opositora da candidatura de Dilma Rousseff à sucessão.”

A observação está correta. Pelo menos até agora, Marina Silva é a principal oponente de Dilma, ou de qualquer outro candidato à presidência da República que eventualmente o PT lance.

Foi a única que subiu mesmo durante os protestos de junho (ou talvez por conta deles) e continua subindo a despeito da recuperação recente da presidente, segundo o DataFolha.

Milagre

“Digamos que, por algum milagre, a vice-líder nas pesquisas consiga nestes menos de dois meses que restam para o prazo fatal do TSE certificar as quase 300 mil assinaturas que faltam para o registro do partido e possa então ser candidata pela segunda vez à Presidência da República com um partido para chamar de seu.”

A dúvida do jornalista é pertinente. Marina ainda não conseguiu certificar mais da metade das assinaturas, e o tempo está encurtando dia a dia.

Sua saída parece ser um esforço concentrado e uma mobilização nacional para sanar o problema e dar conta do recado.

Ela não parece ter base para tanto, a menos que voluntários se engajem em um mutirão para pressionar os cartórios eleitorais.

Marina já reclamou da demora (burocracia) dos cartórios. Há quem entenda, inclusive, que seu foco não mais seria 2014, mas sim 2018.

É um risco, pois daqui a pouco mais de cinco anos é provável que estejamos enfrentando uma outra realidade.

Problemas

“E digamos ainda que, no correr da campanha, Marina ultrapasse Dilma e seja eleita. Aí sim começariam seus problemas mais sérios. Quando foi lançada, a RS esperava contar com pelo menos 20 deputados nesta legislatura, o que já seria quase nada numa Câmara com 513 parlamentares. Mas, até agora, apenas três estão realmente empenhados em criar o partido, todos sem muita expressão: os deputados federais Alfredo Sirkis (PV-RJ), Walter Feldman (PSDB-SP) e Domingos Dutra (PT-MA).”

Não sei se isso – apenas 3 deputados – vem a ser exatamente um problema. Tão logo passe à frente de Dilma, o que pode acontecer, novas adesões surgirão como do nada, como já estamos cansados de ver.

Alianças

“Em 2010, quando foi candidata do PV em aliança com outros nanicos, Marina teve 20 milhões de votos e levou as eleições para o segundo turno, mas agora não há no horizonte nenhuma coligação partidária em vista, nem mesmo com seus antigos parceiros verdes.”

Também não parece que isso seja um problema real, e vale o mesmo raciocínio do tópico anterior.

Palanque

“Sem palanques, sem bancadas fortes nos Estados, como e com quem a ex-senadora montaria seu governo caso seja eleita? Só tem um jeito: seria se aliar com partidos como o PMDB, que apoiam qualquer um, e outros do gênero, a escória da política que ela tanto rejeita e tem-lhe servido de diferencial para capturar os votos das massas indignadas dos protestos. Se for para ser assim, então para que ganhar?”

A montagem do governo realmente seria um problema. Mas problema maior é ainda não ter programa de governo. De mais a mais, Marina poderia atrair gente para seu governo, inclusive do PT, seu ex-partido.

Marina está mais próxima dos petistas e dos partidos de esquerda, do que estaria do PSDB e de partidos conservadores.

Chances

“Conheço muita gente como eu, que admira e simpatiza com Marina, e até poderia votar nela, desde que não tenha chances efetivas de ganhar, exatamente porque governar o Brasil exige um mínimo de condições concretas para uma administração ficar de pé, não só em termos de alianças políticas, mas também de vínculos com os diferentes movimentos sociais. Mais difícil é encontrar alguém que consiga entender e explicar em poucas palavras quais são os reais objetivos de um possível governo Marina e no que ele seria diferente daqueles que tivemos até hoje.”

Correta a avaliação, especialmente depois das derrapadas marinista rumo ao que há de mais tacanho na religiosidade brasileira.

Apoios

“Os únicos apoios visíveis da vice-líder nas pesquisas até agora vieram de duas grandes empresas, uma do ramo de cosméticos e outra da área das altas finanças, além de alguns setores da grande mídia, que já não confiam na oposição demo-tucana e estão em busca de um candidato, qualquer um capaz de derrotar o PT.”

Já é um começo, e aqui vale, igualmente, o raciocínio usado logo no início destas observações.

Protestos

“Marina subiu 10 pontos no Datafolha depois das manifestações de junho, foi a que mais ganhou com os protestos "contra tudo e contra todos", mas isso não foi suficiente para capturar nenhum apoio político-partidário-eleitoral até agora. O quadro partidário é este que está aí, gostemos ou não, com cerca de 30 siglas, e nada indica que novidades surjam até outubro, até porque é possível importar médicos, mas não políticos. A não ser que alguém ache realmente viável termos um país do tamanho do Brasil governado "sem partidos e sem políticos", como pregavam alguns cartazes no tsunami dos protestos.”

É verdade que até agora Marina não mudou a ordem das coisas, nem a cor do céu ou o azul do mar (o mar é azul? Não é verde não?). Mas uma eventual disparada nas intenções de votos pode mudar a correlação de forças e a disposição para apoios e financiamentos.

Portanto é melhor aguardar o que vai acontecer daqui para a frente.

De minha parte, embora ache Maria Silva uma pessoa simpática, correta e emocionante não vou votar nela.

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