terça-feira, 20 de agosto de 2013

Não acredito em perdão, desculpas e arrependimento



Acho que Fernando Henrique Cardoso foi um presidente bastante razoável. De razoável para bom. Diria que esteve mais para bom do que para razoável.

Acho Fernando Henrique Cardoso um extraordinário intelectual. Dos vivos, o melhor e o mais lúcido.

Sua obra intelectual é muito boa. Suas análises demolidoras a Gilberto Freire são extraordinárias.

Acho que todo mundo deveria ler isso.

Aliás, acho que Gilberto Freire deveria ser considerado o inimigo Número Um dos índios brasileiros.

Já expliquei isso em outros textos. Não vou me repetir.

“Nós vencemos”

A única coisa que nunca entendi na eleição de FHC foi ver – no iniciozinho da rua Augusta, atrás da Praça Roosevelt, em SP – um sem teto pulando, dançando e cantando: “nós vencemos”.

Nós quem, cara pálida?

Independente de simpatias e antipatias por FHC e por Lula da Silva a cena até hoje me é incompreensível.

Um classe média ou um morador dos Jardins paulistano fazendo isso, até entenderia. Mas um sem teto!?

Espelho

Devem existir um ou dois filmes, um ou outro livro e uma meia dúzia de textos ficcionais ou não cujo título seja “Do outro lado do espelho”.

É onde acho que vive boa parte da humanidade, especialmente aquela que conseguiu alguma conquista material ou acha que por alguma razão vai conseguir, como o sem-teto da Augusta.

Um amigo antropólogo chegou certa vez a Campo Grande (MS) passado com o que ouviu de um grupo de jornalistas paulistas que iam para a capital sul-mato-grossense cobrir um jogo de futebol.

Embora seja “pavio curto” ele não reagiu às insanidades que saíram da boca dos nobres jornalistas contra índios, pobres, sem-terra e sul-mato-grossenses em geral.

Tempos tenebrosos

Não sei se o mundo já foi pior ou melhor que atual. Nem sei se dá para fazer esse tipo de comparação.

Mas que a coisa está feia atualmente, isso está.

Insanidades mil

Se alguém se der ao trabalho de ler matérias e comentários a respeito de alguns eventos atuais, e caso tenha estômago e fígado, vai necessariamente ter de ir a um médico ainda hoje.

Estou falando da barração do neto da coreógrafa Deborah Colker por uma companhia área nacional.

Da prisão de David Miranda, companheiro do jornalista norte-americano Glenn Greenwald, pela polícia britânica.

Do caso do selinho do jogador corintiano Sheik, dos protestos indignados e das ameaças.

Sem fé

Sou um sujeito de poucas crenças. Para falar a verdade não acredito em nada.

Mas há três coisas nas quais não acredito mesmo: no perdão, em desculpas e em arrependimento.

Todo sacana que se preze, mais cedo ou mais tarde se diz arrependido, pede desculpas e implora por perdão pelo que disse ou fez.

Dispenso todo esse lero-lero. Todo mundo tem consciência do que faz.

Essa história de juventude, de bebedeira, de que estava doidão não justifica absolutamente nada.

Não venha o cara – quando estiver doente, duro, velho, impotente ou às portas da morte – chorar pitangas.

Fez os malfeitos porque quis fazer. Estava plenamente consciente do que fazia.

Portanto, tenha pelo menos um pingo de dignidade e durma sozinho com os seus fantasmas!

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