sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Anarquistas, punks, vândalos e outros bichos perigosos



Li agora pela manhã alguns artigos sobre os black blocs. Alguns contra, outros a favor, e outros sem saber direito o que falar a respeito.

Não se vai mais perder tempo por aqui discutindo se os black blocs são um grupo ou uma tática usada em manifestações de rua.

Já deu na tampa.

Nos anos 90 convivi com um sujeito que se dizia dark ou anarco-punk.

Ele pertencia a um grupo que roubava crânios em um cemitério do bairro de Pinheiros, em São Paulo, e os expunha em casas vizinhas para atazanar a vida de moradores locais.

Quase todo mundo se assustava ao dar de cara pela manhã com um crânio humano de verdade.

Os mais velhos entravam em pânico, e muitos entendiam aquilo como um aviso de que a morte estava próxima.

E está mesmo para quem é velho.

Era um grupo pacífico que apenas zuava com os “burgueses” como me explicou o camarada.

Eu me divertia um bocado com esse tipo de malucagem.

No sistema

Boa parte desses jovens – se não a maioria – mais cedo ou mais tarde cai no sistema.

Um montão deles vira reacionário.

Questionados, explicam que na época eram jovens, não tinham muito o que fazer, viam um futuro sombrio pela frente... blábláblá, blábláblá, blábláblá.

Gente mais séria costuma acrescentar que esse tipo de comportamento errático faz parte da idade, que é consequência dos hormônios, da falta de amor em casa e de outras baboseiras pseudocientíficas.

Contra o sistema

Pode-se dizer, no geral, que se trata de gente pacífica; pacífica na medida em que não agridem pessoas, apenas atacam edificações e símbolos do poder e do sistema.

Não por acaso, entre os alvos preferenciais dessa gente estão agências bancárias e cadeias de fast food.

Ideologia

Ideologicamente a cabeça dessa gente é uma confusão só.

Hostilizam os participantes do Foro São Paulo (esquerda) e o governo paulista (centro direita). A história se repete nos outros Estados.

Se alinham, como no Rio de Janeiro, aos protestos contra o desaparecimento do pedreiro Amarildo (a esta altura provavelmente morto e desaparecido para sempre).

Mas não se vexam de participar de manifestações ao lado de grupos paramilitares, traficantes de drogas e agentes do Estado infiltrados nos movimentos.

Uma coisa apenas dá liga ao comportamento desses grupos: uma aversão ao Estado e ao sistema.

Como bons anarquista que são, querem a destruição do Estado e do sistema, mas não têm nada para colocar em seus lugares.

O que resta saber é quanto vai durar essa euforia e essa anarquia toda.

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