sábado, 27 de julho de 2013

Por onde andará Amarildo?



Uma intensa campanha deflagrada pela internet (e pouco acompanhada pela imprensa mercantil, a tal da grande imprensa) quer saber onde está Amarildo.

Amarildo de Souza é/era ajudante de pedreiro e morador da Rocinha, no Rio.

No dia 14 de julho ele foi detido por policiais de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) supostamente por ser parecido com um traficante de drogas da região.

A partir daí ninguém mais o viu; ele nunca mais voltou para a casa.

A polícia diz que Amarildo, após as averiguações de praxe, foi solto.

A PM diz até ter vídeos mostrando a sua saída da UPP – mas ainda não mostrou esses vídeos para ninguém.

Uma câmara de vídeo que mostra uma viela da favela por onde Amarildo deveria passar para voltar para a casa não registra nada.

A PM fluminense se meteu em mais uma enrascada, assim como o desprestigiado governador Sérgio Cabral.

Custódia do Estado

Qualquer cidadão brasileiro detido por forças do Estado passa a ser custodiado pelo mesmo. Isso quer dizer simplesmente o seguinte: a responsabilidade pela vida e pela segurança do cidadão é do Estado.

O Estado do Rio de Janeiro argumenta que sua responsabilidade se extinguiu no caso de Amarildo assim que ele foi solto.

Em termos: se a PM teve a capacidade de prender Amarildo quando este voltava para a casa, deveria também ter a responsabilidade de levá-lo para a casa assim que o soltou.

Outras versões

Se diz por aí que Amarildo está morto (o que é muito provável) e que seu corpo tenha sido dissolvido naquelas piras feitas com pneus, tal qual aconteceu com o jornalista Tim Lopes e a modelo Eliza Samúdio (o que também é bastante provável).

Uma das versões dá conta de que Amarildo foi solto, mas entregue para traficantes da região.

Outra, que foi solto, mas que traficantes já o esperavam nas esquinas da vida.

Ambas as versões dão conta de que Amarildo teria “aberto o bico” aos policiais, denunciando gente do tráfico.

Pode até ser, mas isso só complica ainda mais a vida da PM fluminense e do governador Cabral, clareando, mais uma vez, a promiscuidade do Estado com a bandidagem.

Nem sob tortura PMs e Cabral vão admitir isso.

Enquanto isso, a família e os amigos de Amarildo passam por momentos de terror e de angústia, sem saber ao certo se terão pelo menos o direito de enterrar o seu corpo.

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