quarta-feira, 17 de julho de 2013

Lula da Silva está perdidinho (?)



Extraordinário artigo (“É a conjuntura, estúpido“) do jornalista, escritor e doutor em História Social, José Arbex Jr.,: “Conjuntura no Brasil pode desembocar em crise revolucionária”, para o Vi o Mundo - http://www.viomundo.com.br/politica/jose-arbex-jr-conjuntura-no-brasil-pode-desembocar-em-crise-revolucionaria.html.

Arbex mata a mosca e mostra o pau: Lula se esconde e, de vez em quando, fala, mas parece não saber do que está falando, e da enorme responsabilidade sua e do PT na atual crise (de identidade?) pela qual passa o País, e que desembocou nas manifestações de rua, que não devem parar tão cedo, e devem receber um plus tanto em razão da visita do Papa, nos próximos dias, quanto da realização da Copa do Mundo, no ano que vem.

O texto na íntegra pode (e deve) ser acessado no link acima.
Abaixo algumas passagens relevantes do artigo de Arbex:

[A resposta (às manifestações) está na conjuntura. Não está na vontade dos dirigentes partidários, sindicais, dos movimentos sociais e nem mesmo do MPL – que foram tão pegos de surpresa quanto qualquer outro cidadão. Não está em manobras e articulações palacianas, nem da “direita” nem da “esquerda”.]

[Lula está certo, ao dizer que a juventude quer mais. O Programa Bolsa Família, o aumento real do salário mínimo, os programas de inclusão social (como o Luz para Todos), na esfera da educação (como o Prouni) e o da casa própria (Minha Casa Minha Vida) colocaram milhões de brasileiros na esfera do consumo, a qual foi artificialmente ampliada ao máximo com a concessão de créditos fáceis aos consumidores.]

[O que Lula não diz em seu artigo é que boa parte dos problemas que hoje afligem a população brasileira também é resultado das políticas adotadas pelo seu governo e mantidas por aquela que preenche os contornos de seu espectro refratado no Planalto, a senhora Dilma Rousseff.
Lula não diz, por exemplo, que o programa Bolsa Família equivale a escassos 10% do total dos juros da dívida pública anualmente pagos ao capital financeiro; que os investimentos feitos pelo governo federal em educação e saúde são um dos menores do mundo, quando comparados ao PIB; que o governo adotou uma política irresponsável de promover o crescimento econômico com base no endividamento das famílias, que hoje enfrentam o fantasma da inadimplência; que, ideologicamente, o lulismo privilegiou uma concepção neoliberal que confunde “progresso social” com “enriquecimento dos indivíduos”, assim criando um abismo intransponível entre o eventual maior bem-estar que cada família passou a experimentar da porta de sua casa para dentro e o desastre absoluto verificado da porta para fora (insegurança, medo, poluição, caos urbano, guerras entre gangues, etc.); e que o ”lulismo” transformou o PT e a CUT, símbolos das esperanças que mobilizaram milhões de brasileiros no final dos anos 70, em condutos forçados de negociatas do mercado persa chamado Congresso Nacional.]

[Mas rimar paraíso financeiro com ordem social não será mais possível no Brasil. O capital não pode abrir mão da taxa de lucros, ainda que isso signifique pressionar o governo para arrancar da população as poucas conquistas sociais já alcançadas (por exemplo, com investimentos ainda menores nos setores de educação e saúde, para assegurar a remuneração do capital, por meio do superávit primário).]

[A mediocridade da oposição “de direita” e a impotência da “esquerda” ainda dão fôlego ao governo Dilma, que, claramente, oscila ao sabor dos acontecimentos.’]

[Em seu artigo (no New York Times, ontem), ele acena com a necessidade de uma “transformação profunda do PT”. O que isso significa, talvez nem o próprio Lula saiba. Ainda.]

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