sexta-feira, 26 de julho de 2013

Bagunçou geral! O que é mesmo democracia?



Está na moda discutir “democracia direta”. Quase ninguém sabe do que se trata, mas muita gente fala sobre.

A “democracia direta” está deixando a esquerda de cabelo em pé, mas nem tanto a direita.

Não que a direita ache alguma graça em “democracia direta”, apenas acha que pode controlá-la para fazê-la retroceder ao estágio da “democracia representativa”.

Se não der, vai na porrada mesmo. Essa é a lógica da direita. Afinal, a polícia está para isso mesmo: espancar e prender os “arruaceiros”.

Os esquerdistas não sabem ao certo o que fazer caso a tal da “democracia direita” seja implantada mesmo.

Como viver sem o Estado? A esquerda não sabe como fazer isso. Basta lembrar as enormes rusgas entre comunistas (marxistas) e anarquistas no início do século passado.

A tese da “democracia direta” chega muito perto do que pensa a direita: o Estado mínimo. Ou melhor, uma sociedade sem Estado, onde o cidadão possa ser explorado livremente pelas corporações empresariais.

“Democracia participativa”

Quando muito, parte da esquerda discute e admite implantar a “democracia participativa”.

Mantém-se o Estado, mas o cidadão, através de suas representações sociais, teria primazia na definição das políticas públicas.

Mas para isso é preciso manter o tripé que dá sustentação ao Estado contemporâneo: o executivo, o legislativo e o judiciário.

No texto abaixo, o professor Wanderley Guilherme dos Santos (“O futuro do levante niilista” / “Sobre o niilismo juvenil nas manifestações”) discute isso, sem, no entanto, diferenciar “democracia participativa” de “democracia direta”.

É óbvio que ele sabe a diferença entre uma coisa e outra, mas com muita habilidade tenta apagar/esquecer a possibilidade da participação popular nos destinos do País.

É uma visão marxista ortodoxa, mas mesmo assim vale a pena ler o artigo, e refletir a respeito.

Diz Wanderley Guilherme dos Santos:

“Regras democráticas e direitos constitucionais não transferem suas virtudes às ações que os reivindicam como garantia. Máfias e cartéis econômicos também são organizações voluntárias e nem por isso o que perpetram encontra refúgio na teoria democrática ou em dispositivos da Constituição. Esgueirar-se entre névoas para assaltar pessoas ou residências não ilustra nenhum direito de ir e vir, assim como sitiar pessoas físicas ou jurídicas em pleno gozo de prerrogativas civis, políticas e sociais, ofendendo-as sistematicamente, nem de longe significa usufruir dos direitos de agrupamento e expressão. Parte dos rapazes e moças que atende ao chamamento niilista confunde conceitos, parte exaure a libido romântica na entrega dos corpos ao martírio dos jatos de pimenta, parte acredita que está escrevendo portentoso capítulo revolucionário. São estes os subconjuntos da boa fé mobilizada. Destinados à frustração adulta.”

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