quinta-feira, 27 de junho de 2013

MANIFESTAÇÕES: a corrupção enquanto bandeira mal desfraldada



Uma das principais bandeiras das manifestações de rua brasileiras é a corrupção.

No início – há quase 3 semanas – o combate à corrupção se ombreava à luta pela queda no preço das tarifas do transporte coletivo.

Vencida a fase transporte coletivo, mantém-se – agora como bandeira maior – o combate à corrupção.

Se formos olhar com mais calma, a corrupção sempre esteve no centro das discussões políticas e sociais brasileiras, e aparece, por exemplo, na oposição ao governo de Getúlio Vargas, nas passeatas que deram sustentação ao golpe militar de 1964, na campanha de Collor à presidência da República, na criação do movimento Cansei (no início do governo Lula).

Posto isso, há que se dizer que a prática da corrupção é coisa das mais antigas.

Mas muito mais antiga e universal, pois está presente em todas as culturas e em todas as épocas.

Antissemitismo

Uma das maiores atrocidades do século 20 foi perpetrada pelo regime nazista da Alemanha, cuja vítima preferencial foram os judeus (embora não só eles).

Hitler calçou sua ascensão ao poder com um forte discurso antissemita.

Para ele, os judeus eram corruptos, antissociais, antinacionais e os principais responsáveis pela miséria alemã da época.

No entanto, não foi Hitler quem “inventou” o antissemitismo – o ódio e a discriminação contra indivíduos judeus.

Há registros de graves perseguições a judeus já na Primeira Cruzada (1096), na Inglaterra (1290) e na Inquisição espanhola e portuguesa durante a Idade Média.

Jogo da corrupção

Jogar a corrupção apenas na conta do poder público, dos partidos políticos e dos políticos em geral é um misto de desinformação, de má vontade e de desonestidade.

Estranhamente, o militante anticorrupção deixa de fora um dos elementos essenciais para entender o problema: o corruptor.

Como fazer corrupção apenas com corrompidos, mas sem os corruptores?

Mais estranho ainda é ver manifestantes de uma das marchas de São Paulo se ajoelharem em frente ao prédio da Fiesp – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo para cantar o hino nacional.

Com essa referência à Fiesp está-se aqui querendo dizer que todos os empresários são corruptos?

Obviamente que não. A maioria certamente não é.

Mas quem se “locupleta” do dinheiro público com as obras da copa, por exemplo?

Certamente não é o Batalhão de Engenharia do Exército.

Ou com o superfaturamento da merenda escolar?

Certamente não são os produtores rurais, quase sempre pequenos proprietários.

Ou com a entrega de medicamentos com validade vencida em postos de saúde e hospitais públicos?  

Certamente não são os caminhoneiros.

Sexo dos anjos

Combater a corrupção sem combater os corruptores é como procurar “o sexo dos anjos”.

Em meio às turbulências que acossavam o Cristianismo, no século 15, autoridades teológicas se reuniram em Constantinopla e passaram a discutir, literalmente, o sexo do anjos, enquanto fora da cidade os turco-otomanos empreendiam violentos ataques aos territórios controlados por reinos cristãos (Brasil Escola).

Obviamente que não se chegou à conclusão alguma, como não vai se entender e controlar a corrupção apenas apontando os dedos acusadores para políticos e governos.

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