terça-feira, 18 de junho de 2013

Bobices e crendices numa segunda-feira convulsionada



O jornalista Janio de Freitas terminou a sua coluna de hoje, na Folha de São Paulo (“Ideia terrorista” - http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/114545-ideia-terrorista.shtml), sugerindo “que comecemos reflexões mais complexas sobre o que está acontecendo. É muito, muito menos simples, como expressão atual e como perspectiva, do que se tem dito.”

Surfistas de todas as praias – de jornalistas esportivos a ativistas sociais, de gente das esquerdas até aderentes do Cansei e do Instituto do Millenium – estão querendo pegar uma caroninha nas ondas revoltosas.

Aliás, gente do Cansei e do Instituto do Millenium estava na passeata de ontem, em São Paulo.

Há desde tolinhos que acreditam em um movimento espontâneo, não-ideológico (como se fosse possível juntar ideias e ideais tão dispares) até os eternamente desavisados que aspiram pela queda de Dilma Rousseff e pelo fim da corrupção (como se ambas as coisas fossem possíveis neste momento).

Doces e toscas ilusões.

Quem consegue pensar por dois minutos sem ter enxaqueca e assistiu – pelo menos em parte – o Roda Viva (TV Cultura, ontem) com dois dos jovens líderes do Movimento Passe Livre (MPL) deve ter percebido que é “muito, muito menos simples, como expressão atual e como perspectiva, do que se tem dito.”

Num artigo que está rolando hoje pela Internet, o cineasta Fernando Meirelles recupera o slogan do Fórum Social Mundial: “outro mundo é possível”.

A que Freitas e Meirelles estão se referindo?

A um velho mantra do marxismo-leninismo: “a superação do Capitalismo”.

Portanto, se você é suficientemente ingênuo, pode aposentar o seu bobismo e perceber que tem mais coisa acontecendo que a sua vã filosofia possa imaginar.

Ao serem “apertados” pelos perguntadores do Roda Viva, que insistiam na tese de tanta revolta e tanta baderna por meros 20 centavos, os garotos explicaram, com certa dose de paciência e de pena, que a questão não é apenas os 20 centavos, mas, sim, a mobilidade urbana.

Deu pra entender agora ou quer que eles desenhem?

Mas como repensar a mobilidade urbana nas grandes e médias cidades sem a participação da população?

Mas como os cidadãos podem participar do processo se o Estado não migrar da Democracia Representativa para a Democracia Participativa?

Mas como chegar à Democracia Participativa sem superar o Capitalismo?

Conseguiu entender agora, ou ainda quer que eu chame os jovens do MPL para que eles desenhem?

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