segunda-feira, 24 de junho de 2013

As manifestações podem terminar em golpe (?)



Podem. Na vida tudo é possível. Até mesmo o que parece impossível.

O que há de concreto no momento, porém, são inúmeras “teorias da conspiração” e centenas de paranoias espalhadas e disseminadas com a velocidade da internet.

As manifestações continuam e devem continuar por mais algum tempo. Há ainda muito combustível na praça, especialmente por conta da Copa das Confederações.

Outro dado relevante é que as manifestações estão chegando às periferias – às físicas e às sociais.

É de se ver a partir de agora um confronto mais claro – e talvez mais sangrento – entre a classe média e suas reivindicações difusas e as periferias e suas reivindicações mais objetivas e pontuais.

É a volta da antiguíssima luta de classes que apressados e oportunistas deram como morta no final dos anos 80.

Esta semana que se iniciou deve marcar, especialmente, a saída às ruas das periferias.

Um slogan aparentemente surgido nas ruas durante as manifestações das últimas duas semanas tem irritado os grupos sociais mais vulneráveis: “o gigante acordou”.

Brasil profundo

O chamado Brasil profundo – como gostam de dizer historiadores e cientistas sociais – nunca esteve adormecido.

A diferença está em que qualquer manifestação das periferias – invasão de propriedades pelo movimento dos sem terra; reivindicação de áreas ancestrais pelos índios; fechamento de ruas e avenidas por moradores de favelas – é de pronto criminalizado e tratado como coisa de bandidos pelos governos, pela imprensa e pela classe média.

Aliás, cabe à imprensa a maior responsabilidade pela criminalização dos movimentos sociais e pelo convencimento da classe média de que militantes sociais são bandidos, baderneiros, arruaceiros, desocupados e vagabundos que querem “impedir o progresso do País”.

O golpe

Boa parte da elite (os riscos e os muito ricos) e da subelite (as classe médias A, B e C) anseiam despudoramente por um golpe que derrube a presidente Dilma Rousseff e tire o Partido dos Trabalhadores do poder central.

Não há condições objetivas para tanto.

Quem dará o golpe? Os militares? Eles não têm esse poder e essa força toda hoje em dia.

Os manifestantes que foram e estão indo às ruas? Eles não têm foco e organização suficientes para enfrentar uma empreitada desse porte.

Tsunami moralizadora

O grande perigo de uma massa precariamente informada e educada, com um baixo nível de leitura, com desconhecimento total de teorias políticas e sociais e absoluta falta de experiência em lutas reivindicatórias – está-se falando aqui da classe média – é que ela se torna presa fácil do oportunismo político.

Num País por si só conservador e moralista como o nosso, esse é um maná que já começa a ser aproveitado pelos espertos de sempre.

Se não é possível derrubar Dilma e escorraçar a esquerda do poder será possível sim – e isso tem grandes chances de acontecer – usar as eleições do ano vem para exterminá-los.

Não é nada desprezível a chance de elegermos para a presidência da República um candidato aos moldes de Fernando Collor de Melo – “o caçador de marajás”.

Não é nada desprezível a chance de elegermos governadores estaduais com perfil do ex-governador paulista, Paulo Salim Maluf, para quem manifestações e reivindicações devem ser tratados com a brutalidade de sempre pela Polícia Militar.

Não é nada desprezível a chance de que o povo brasileiro povoe ainda mais as assembleia legislativas, a câmara dos deputados e o senado da República de parlamentares com os perfis de Kátia Abreu e de Marco Feliciano.

Ou as esquerdas e as periferias se unem para enfrentar o “dragão da maldade”, abrindo uma guerra em campo aberto contra a classe média, ou o Brasil vai mergulhar em mais um período de obscurantismo.

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