sábado, 24 de fevereiro de 2018

Convergência entre neurociência e tecnologia


terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Flutuações


Patada


Talvez a nossa grande vantagem seja não saber ao certo se estamos mesmo aqui

Quando eu era criança, com menos de 10 anos, acreditava que existia um mundo apenas meu, uma espécie de universo particular, onde as coisas giravam apenas à minha volta: os acontecimentos passados, presentes e futuros; bem como as pessoas que eu já conhecia e aquelas que iria conhecer no futuro.
Mas achava, também, que existiam outros mundos, outros universos (paralelos) onde todas as outras pessoas, individualmente, viviam sem contato umas com as outras.
E da mesma forma como acontecia comigo as coisas giravam apenas às suas voltas, assim como os acontecimentos passados, presentes e futuros e as pessoas que elas já conheciam ou que viessem a conhecer no futuro.
Talvez fosse isso uma espécie de ceticismo, uma descrença generalizada na deidade, ou, o que é muito provável, uma perplexidade frente à finitude da vida.
Mas é provável que eu não estivesse tão equivocado assim e, por isso, a guisa de ilustração, me socorro das definições de um verbete da Wikipédia sobre a física quântica que acabou por dar um imenso nó na cabeça de todos nós e colocou  algumas teorias ladeira abaixo, como as de Darwin [1] e de Descartes [2]:
[“A palavra “quântica” (do Latim quantum) quer dizer quantidade. Na mecânica quântica, esta palavra refere-se a uma unidade discreta que a teoria quântica atribui a certas quantidades físicas, como a energia de um elétron contido num átomo em repouso. A descoberta de que as ondas eletromagnéticas podem ser explicadas como uma emissão de pacotes de energia (chamados quanta) conduziu ao ramo da ciência que lida com sistemas moleculares, atômicos e subatômicos. Este ramo da ciência é atualmente conhecido como mecânica quântica.
“A mecânica quântica é a base teórica e experimental de vários campos da Física e da Química, incluindo a física da matéria condensadafísica do estado sólidofísica atômicafísica molecularquímica computacionalquímica quânticafísica de partículas, e física nuclear. Os alicerces da mecânica quântica foram estabelecidos durante a primeira metade do século XX por Albert EinsteinWerner HeisenbergMax PlanckLouis de BroglieNiels BohrErwin SchrödingerMax BornJohn von NeumannPaul DiracWolfgang PauliRichard Feynman e outros. Alguns aspectos fundamentais da contribuição desses autores ainda são alvo de investigação.
Normalmente é necessário utilizar a mecânica quântica para compreender o comportamento de sistemas em escala atômica ou molecular. Por exemplo, se a mecânica clássica governasse o funcionamento de um átomo, o modelo planetário do átomo – proposto pela primeira vez por Rutherford – seria um modelo completamente instável. Segundo a teoria eletromagnética clássica, toda a carga elétrica acelerada emite radiação. Por outro lado, o processo de emissão de radiação consome a energia da partícula. Dessa forma, o elétron, enquanto caminha na sua órbita, perderia energia continuamente até colapsar contra o núcleo positivo!”.]
Trocando em miúdos, o que vale para escalas acima do átomo, não vale para o que está aquém dos átomos, ou seja, as leis da física não se aplicam indistintamente para  os dois casos (físicos, me permitam essa figura de linguagem), muito pelo contrário.
A rigor Sócrates, estava com a razão: “Só sei que nada sei, e o fato de saber isso, me coloca em vantagem sobre aqueles que acham que sabem alguma coisa”.
Sócrates, no entanto, nunca esteve sozinho. Um dos conceito essenciais do budismo (zen-budismo) é a impermanência: “Anicca (traduzido do páli, "impermanência". Lê-se /anit-txá/.[1]) é um dos conceitos essenciais para a descrição do universo segundo o budismo (junto com dukkha e anatta, compõe as três marcas da existência). Diz respeito à constante mutação de todas as coisas que compõe o universo. Compreender a impermanência é de extrema importância dentro do contexto budista. Assim como as quatro nobres verdades são reconhecidas por todas as escolas budistas, a impermanência é um ensinamento presente em todas as linhagens”.
Ou seja, nada é. Tudo está em permanente mutação, tudo é impermanente, portanto não podemos afirmar coisa alguma (“Só sei que nada sei, e o fato de saber isso, me coloca em vantagem sobre aqueles que acham que sabem alguma coisa”) pois nem mesmo sabemos se estamos aqui, agora, ou se isso tudo não passa de uma projeção (matrix) de alguma coisa que nem imaginamos saber que exista.
Algumas leituras
Alguns vídeos



[1] O princípio da evolução postula que as espécies que habitaram e habitam o nosso planeta não foram criadas independentemente, mas descendem umas das outras, ou seja, estão ligadas por laços evolutivos. Esta transformação, denominada evolução das espécies, foi apresentada e explicada satisfatoriamente por Charles Darwin, no seu tratado A origem das espécies, em 1859.
A base da evolução biológica é a existência da variedade, ou seja, as diferenças individuais entre os organismos de uma mesma espécie. Na grande maioria das vezes, os indivíduos produzem uma grande quantidade de descendentes, dos quais apenas uma parte sobrevive até a fase adulta. Assim, por exemplo, a cada ano, o salmão põe milhares de ovos, uma ave produz vários filhotes,. No entanto, as populações das espécies em um ecossistema em equilíbrio não crescem indiscriminadamente. Isto significa que os indivíduos são selecionados na natureza, de acordo com suas características. Frequentemente menos de 10 % da prole sobrevive. Os indivíduos que apresentarem características vantajosas para a sua sobrevivência, como por exemplo, maior capacidade de conseguir alimento, maior eficiência reprodutiva, maior agilidade na fuga de predadores, têm maior chance de sobreviver até a idade reprodutiva, na qual irá passar estas características individuais vantajosas à prole. Isto ocorre porque todas as características estão imprensas nos genes do indivíduo. Este é o princípio da seleção natural de Darwin.
Darwin mostrou que a seleção natural tende a modificar as características dos indivíduos ao longo das gerações, podendo gerar o aparecimento de novas espécies.

[2] O cartesianismo foi um movimento intelectual suscitado pelo pensamento filosófico de René Descartes (Cartesius) durante os séculos XVII e XVIII. Descartes é comumente considerado como o primeiro pensador a enfatizar o uso da razão para desenvolver as ciências naturais.[1]Para ele, a filosofia era um sistema de pensamento que encarna todo o conhecimento. Para os cartesianos, a mente está totalmente separada do corpo físico. A sensação e percepção da realidade são pensados como fontes de mentiras e ilusões, com as únicas verdades confiáveis para se ter na existência de uma mente centrada na metafísica. Tal mente pode eventualmente interagir com um corpo físico, contudo isso não existe no plano físico do corpo.[2][3] O termo "cartesianismo" é utilizado para designar coisas aparentadas, mas distintas...

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Vigilância em massa é o grande problema do nosso tempo

Marcelo D’Elia Branco - foto: Reprodução Facebook 

[As falhas dos chips produzidos pela Intel, conhecidas pelos nomes de Meltdown e Spectre, são graves porque “permitem o acesso à totalidade dos dados que temos nos nossos espaços privados indevidamente, sem o nosso consentimento, por pessoas e corporações ou agências de espionagens governamentais”, diz Marcelo Branco [1].
Para ele, a solução adequada diante da divulgação das falhas nos chips produzidos pela Intel “seria um recall, mas isso é quase impossível, porque teriam que recolher praticamente todas as máquinas de uso doméstico, de uso nas empresas, de uso nos governos e as próprias máquinas que fazem a internet funcionar nos últimos dez anos”. Segundo ele, isso implicaria em “bilhões de equipamentos que teriam que ser recolhidos e devolvidos”. Uma solução mais factível, defende, é que as empresas passem a produzir chips que possam ser auditados por especialistas.
Branco explica como as espionagens digitais são feitas atualmente e pontua que o caso da Intel evidencia que vivemos na era da vigilância. “Somos espionados diariamente pelos aplicativos que instalamos nas nossas máquinas. Cada vez que o usuário aceita instalar aplicativos do Facebook ou do WhatsApp, ele aceita que o aplicativo acesse seus dados”. E adverte: “É importante termos consciência de que a vigilância em massa é o grande problema deste nosso momento histórico”.]
Leia entrevista na integra de  Marcelo Branco à IHU On-Line.



[1] Marcelo D’Elia Branco foi por três anos diretor da Campus Party Brasil. Consultor para sociedade da informação, ele é fundador e membro do projeto Software Livre Brasil e atualmente atua na INFOLIBERO Consultoria estratégica para Internet.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Deus fala pela boca de Nicanor Parra

Francamente no sé qué decirles
estamos al borde de la III Guerra Mundial
y nadie parece darse cuenta de nada
si destruyen el mundo
¿creen que yo voy a volver a crearlo?
(Poesía política, 1983) [1]
Francamente, não sei o que dizer
estamos à beira da III Guerra Mundial
e ninguém parece se dar conta de nada
se vocês destruírem o mundo
acham que eu vou criá-lo outra vez?




[1] “Morreu na madrugada desta terça (23), - ontem - em Las Cruces, no Chile, o antipoeta Nicanor Parra. Considerado um dos mais influentes poetas em língua espanhola do século 20, sua obra longeva e diversa abarca, além dos conhecidos antipoemas, canções populares, poemas visuais e discursos de intervenção cultural, sempre marcada por uma inflexão irônica e provocativa, que procura profanar o que o próprio autor chamava de “vacas sagradas” da literatura e da cultura dita “oficial”, além de realizar paródias de discursos religiosos e escrever poemas ecológicos de forte tom apocalíptico, refletindo sobre a possibilidade e as consequências de eventuais catástrofes nucleares e ambientais.https://revistacult.uol.com.br/home/antipoesia-de-nicanor-parra/

“Brasil é o país com mais publicação científica em acesso aberto”

Relatório internacional mostra que 75% dos artigos em periódicos nacionais estão disponíveis gratuitamente, em grande parte graças ao programa SciELO


[Em 13º lugar entre os países que mais produzem artigos científicos no mundo, o Brasil tem a maior porcentagem disponível gratuitamente e sem entraves via internet – o chamado acesso aberto. 
Os dados estão em relatório publicado pela Science-Metrix, empresa norte-americana dedicada a avaliar atividades ligadas a ciência e tecnologia.
Dos artigos publicados em periódicos brasileiros, 74% têm acesso aberto. O fenômeno se deve em grande parte ao SciELO(Scientific Electronic Library Online), que reúne 283 periódicos brasileiros e por volta de mil de outros países. O SciELO é um programa financiado pela Fapesp
O acesso aberto parece ser uma estratégia relevante para difusão da ciência produzida em cada país, dado que artigos facilmente disponíveis têm mostrado um índice de citação maior. O engajamento brasileiro nessa tendência foi detalhado na edição de setembro de 2017 de Pesquisa Fapesp.
Nos Estados Unidos, o país com maior produção científica no mundo, dois terços dos artigos publicados têm acesso aberto gratuito. Esse tipo de publicação não é homogêneo em todas as áreas do conhecimento, tendo preponderância em ciências da saúde e ciências naturais, mas traz benefícios em todas as áreas. 
Um achado curioso é que a chamada via verde de acesso aberto, em que os artigos são postos à disposição pelos próprios autores, rende mais citações do que a via dourada, em que a ação é do periódico. Entender essas tendências requer estudo de longo prazo, já que são necessários alguns anos para se avaliar o quanto um artigo é citado. 
Leia também notícia sobre estudo que colocou São Paulo entre as 20 cidades do mundo com maior produção científica: http://revistapesquisa.fapesp.br/2018/01/16/a-metropole-e-a-ciencia. ] 

Maria Guimarães  para a  Revista Pesquisa Fapesp

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017