quinta-feira, 3 de agosto de 2017

PALESTRA: “Uirá - Sabedorias ancestrais indígenas, asiáticas e neurociências”



Apresentação do projeto de diálogos cosmológicos-educacionais, com performance musical e presença de representantes indígenas e não indígenas.
Local: SVM
Palestrantes: Prof. Dr. Arthur Shaker faz parte do Núcleo Neurociências, Mindfulness e Saúde - SP/ BH e é professor do Programa de Meditação Voltada Para Saúde - Faculdade de Saúde Pública USP e Alvaro Tukano é Diretor do Memorial dos Povos Indígenas.
Informações
Início :     12/08/2017 - 18 horas
(61) 98481-2187
SGAN 909, Bl. E, Asa Norte, Brasília - DF (Próximo ao Uniceub)

Mostra mundo de cinema


segunda-feira, 31 de julho de 2017

“Ateísmo na atualidade”




Alunos do IBEV entrevistam Chandramukha Swami.

[Esta entrevista foi conduzida pelos alunos Mateus Moreira, Radesh Dasa e Silvio Pinto, da primeira turma do Curso de Estudos e Práticas Monásticas de Bhakti-yoga, promovido pelo IBEV, em parceria com a Volta ao Supremo.
IBEV: Gostaríamos que o senhor falasse sobre o ateísmo na atualidade e sua relação com a carência de conhecimento espiritual no ocidente.
Chandramukha Swami: Eu não vejo que este é um problema tão grave quanto a gente pode pensar, porque o que a Bhagavad-gita fala é que existem os modos da natureza material e o ideal é que a pessoa se situe no modo da bondade, e isso vai aproximá-la de Krishna.
Às vezes, você vê uma pessoa assim chamada teísta e, ao mesmo tempo, fanática, demonizando pessoas que não são teístas, que não fazem parte da religião dela... Ou seja, uma pessoa no modo da ignorância ou no modo da paixão, o que também não é muito interessante, porque é até difícil ter um diálogo com essa pessoa. Em contrapartida, você conversa com uma pessoa que se diz ateísta, mas que é inteligente, que é ética, que é honesta, que é uma pessoa madura e que dá para você ter conversas muito interessantes com ela porque está mais no modo da bondade.
Então, grande parte do assim chamado ateísmo está ligado a uma visão muito negativa das religiões, sobretudo as ocidentais, que demonstraram desconhecimento total sobre a natureza absoluta de Deus. Existe este tipo de ideia: “O meu Deus é assim...” Algo completamente sectário, separatista e que uma pessoa inteligente não vai apreciar. Em nome de religião, em nome de Deus, coisas loucas aconteceram nos últimos anos – na verdade, não só nos últimos anos.
Agora, escrevendo sobre Jaipur (Índia), onde estive, eu me debrucei sobre o tema de que, há cerca de quinhentos anos, um imperador mongol destruiu vários templos de Vrindavana. Isso foi feito com uma postura religiosa, em nome de Deus, mas é algo completamente demoníaco. Você vai encontrar no Srimad-Bhagavatam pessoas como Hiranyakashipu que era completamente teísta, mas era demoníaco.
Então, você ter fé em Deus e acreditar na existência dEle não significa tanto, porque o que vai salvar uma pessoa não vai ser sua fé em Deus, mas, sim, o seu comportamento. E você vê que há pessoas que mesmo sem fé em Deus têm um bom comportamento e estão situadas no modo da bondade. Por conta disso, estão pelo menos mais perto de Deus, não é verdade?
Nos Vedas, quando uma pessoa sai de karma-kanda, que é o primeiro estágio no qual ela quer satisfazer os seus desejos materiais através da religião, ela se liga no segundo estágio, que é jnana-kanda. Nesse momento, ela entra nos estudos das Upanishads e no estudo do Vedanta-sutra. O conhecimento das Upanishads desconstrói a ideia de um Deus físico, pessoa, com atividades, para depois, lá na frente, quando falar em bhakti, reconstruir a visão de Deus absoluta.
Então, há muitas pessoas inteligentes que hoje são ateístas porque estão desconstruindo uma ideia completamente equivocada de Deus e, talvez, se aproximando e se preparando para receber o conhecimento do Srimad-Bhagavatam sobre um Deus, sobre o aspecto absoluto e perfeito de Deus.
Então, eu não vejo de um modo geral o ateísmo como um regresso. Eu vejo como algo que faz parte de um arranjo de Krishna para desconstruir uma religiosidade completamente mundana, com a qual especialmente o ocidente tem convivido há muito tempo.
IBEV: O senhor tem alguma publicação ou livro que trata a respeito desse tema, o ateísmo, ou pretende publicar futuramente?
Chandramukha Swami: Não tenho essa pretensão, mas sempre que uma pessoa apresenta a consciência de Krishna, em paralelo a isso, também ela apresenta o que não é a consciência de Krishna.
Na Bhagavad-gita, por exemplo, fala sobre quais são os tipos de pessoas que não se rendem. Há o mayaya-pahrta-jnana, que é quem tem muito conhecimento, mas está encoberto pela ilusão, o conhecimento mundano. Há também o naradhama, há aqueles que são realmente demoníacos... Há quatro no total. Mas o que a gente tem que entender mesmo é que a parte nossa que não quer se render a Krishna está ligada a uma dessas quatro.
E a preocupação nossa é reconhecer dentro da gente o nosso ateísmo. Afinal, temos isso dentro da gente, certo? Não existe um ateísmo só que você verbaliza, mas existe o ateísmo psicológico, o ateísmo de comportamento, de relacionamento etc.
Então, é uma armadilha acharmos que nós somos os teístas e eles são os ateístas. Não. Nós temos muito dentro da gente de ateísmo para ser eliminado também.
Quando a gente está tentando conhecer a consciência de Krishna, paralelamente a gente está tentando entender isso também. Não só em nós, mas a influencia de maya. Maya é isto: a base de todo o ateísmo.
Na nossa própria relação com Krishna, a gente sabe que passa por momentos em que falhamos, não é verdade? Exatamente porque o nosso conceito de Deus ainda é muito relativo. Não é ainda um conceito absoluto. A gente não está com realização plena, sentindo a presença de Krishna em tudo, em todas as coisas, e por isso a nossa visão ainda é muito material, muito limitada, muito sectária.
Então, eu acho que a preocupação nossa de pregar para os ateístas pode ser muito boa, mas acho que é o momento de a gente realmente se preocupar com a influência ateísta que temos.
Então, nesse sentido, acho meu livros acabam falando disso.
IBEV: Vemos que, nas universidades e locais com pessoas de bom nível intelectual, muitas pessoas estão pensando no tema espiritual oriental e nessa filosofia. Então, o que o senhor diria a respeito dessa busca de conhecimento que essas pessoas estão querendo cada vez mais?
Chandramukha Swami: É isso. As pessoas não estão interessadas em religião, mas, paralelamente, estão interessadas em filosofia. E acho que o nosso movimento tem que entender isso muito bem e nós temos um conjunto de pensamentos e de propostas de estilo de vida muito atrativos que não estão ligados necessariamente a uma ideia sectária de religião, e isso a gente tem que apresentar.
Acho que o nosso produto mais atrativo é a nossa filosofia, e não o aspecto religioso sectário. “Ah! Você vai ter que se tornar um Hare Krishna”, ou “Você vai ter que usar um determinado tipo de roupa”, ou “você vai seguir uma filosofia oriental ou não oriental”... Acho que o importante mesmo é transmitir esse tipo de pensamento que a Bhagavad-gita fala, de questões como karma, vegetarianismo, a questão de que nós não somos o corpo etc.
Vemos isto: Por que as pessoas querem yoga e não querem religião? Porque no yoga a pessoa faz o trabalho de purificação interna, a responsabilidade é dela, ela assume esse processo de autoconhecimento e autor realização. Na religião, geralmente, você se entrega a um grupo e acha que eles vão salvar você. Isso não é uma coisa que atrai pessoas inteligentes de um bom nível. Por isso o yoga é muito mais interessante. Acho que os devotos têm que se tornar yogis não no sentido de imitarem os hatta-yogis, mas de ter uma vida mais verticalizada. É o que está faltando.
O problema da religiosidade material é que você se sente salvo, ou seja, é outro aspecto da ilusão. “Ah! Eu me tornei devoto, eu canto Hare Krishna e já estou salvo”, “Eu não preciso mais fazer nenhum processo interno”, “Eu estou meio cansado”, “Já fui iniciado”, etc. Existem essas questões. Muita gente pensa assim “Ah! Há fui iniciado, já comi prasada, já tomei banho no Radha-Kunda, já estou liberado”. Isso é verdade, mas existem outras verdades! Se você ofender, você cai.
Então, essas coisas mais ligadas ao lado ritualístico, ao lado mais dogmático, algo que muitos devotos têm, essas coisas não adianta apresentar para um público inteligente, mais intelectual. Eles não querem. O mesmo em relação à adoração à Deidade. Isso tudo é para depois. No começo, é cantar o santo nome e a filosofia. Isso é muito importante e atrativo às pessoas.
A ideia do yoga, em termos práticos, é uma coisa que tem atraído muitas pessoas. Só que os devotos não estão se preparando para apresentar assim. Fica uma coisa ainda muito dogmática e muito parecida com outras religiões – “nós e eles”. Essa coisa fica meio separada demais e acho que não funciona.]
Entrevista com Chandramukha Swami
Giridhari Das
Se gostou deste material, também gostará destes: A Prova da Existência de Deus | Religião É o Ópio do Povo? | No Dentista.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

“O efeito manada, as janelas quebradas e a coragem virtual coletiva na internet”



Reprodução

[O comportamento de manada (ou efeito manada) é um termo usado para descrever situações em que indivíduos em grupo reagem todos da mesma forma, embora não exista uma direção planejada. Esse termo refere-se originalmente ao comportamento animal.
Mas para falar desse assunto convém entender que no mundo animal nem sempre existe uma caminhada em manadas como estratégia para aumentar suas chances de sobrevivência. Eles inclusive podem se atrelar a outros formando repentinamente grupos por puro acaso.
Os elefantes, nômades, se direcionam em busca de alimento e o grupo segue a líder, a fêmea mais velha de todos. É ela quem impõe ordens e garante o alimento de todos. Agrupamentos como estes são fundamentais.
Quando o assunto são abelhas, acredite, elas sabem até votar e enquanto não escolhem o local de sua nova colmeia, ficam acampadas juntas em galhos, sempre unidas. No caso dos elefantes e das abelhas, como citado, existe essa organização. Mas não é necessariamente o que acontece em outras manadas.
Os gnus, por exemplo, correm cada um por si. A estratégia deles é se manter em família até certo momento, mas quando precisarem migrar uma corrida desenfreada acontecerá e eles vão se separar. Morcegos são unidos, trabalham voando em fileiras durante o voo para fazer um arrastão e engolir insetos em massa, sem diferenciar tipos, tudo é bem vindo.
O efeito manada na espécie humana
Trazendo o efeito manada para a espécie humana, podemos perceber comportamentos semelhantes. Ao reparar em dois restaurantes vazios que você não conheça, certamente terá uma tendência a preferir aquele que tem mais gente, que está mais cheio. E conforme mais pessoas chegam e veem aquele restaurante cheio, mas elas querem ir para ele também, acreditando que por isso estão fazendo uma escolha melhor.
Com a moda também é assim, alguém começa a usar algo e outras pessoas copiam, até que logo todos estão parecidos e enjoam da tendência.
Nem sempre sabemos o que queremos e acabamos sendo influenciados, esse comportamento abre brechas para que aqueles que sabem usar bem as palavras, as imagens, a voz, o marketing, consigam os resultados que quiserem influenciado pessoas. Ao estudar neuromarketing todas essas possibilidades ficam muito claras, é possível manipular o cérebro humano de diversas formas.
Para o nosso cérebro, que gosta de poupar esforços, decisões do passado servem de guias inconscientes para decisões futuras. Quer um exemplo? Um estudo trackeou o que acontecia no cérebro das pessoas quando elas ingeriam refrigerante de cola, sem saber que marca era. O equipamento mostrava que as reações eram iguais, independentemente da marca que tomavam. Entretanto, quando foi anunciado que o refrigerante era Coca Cola, a área que envolve memória no cérebro foi ativada, demonstrando o quanto a marca havia criado sensações na mente do consumidor em outras oportunidades, agora refletidas quando elas ouviam se tratar daquele nome.
Falar sobre efeito manada é também falar sobre o popularmente conhecido como “maria-vai-com-as-outras”. Mas é também falar sobre a teoria das janelas quebradas, um modelo norte-americano de política de segurança pública no enfrentamento e combate ao crime, que acredita que se os pequenos delitos não forem reprimidos, condutas mais graves ocorrerão.
Um experimento: será que os vidros de um carro abandonado serão quebrados?
A Universidade de Stanford (EUA) realizou um experimento de psicologia social. Dois carros idênticos foram deixados na rua, um deles na zona pobre e outro na zona rica da cidade de Nova York. Uma equipe de especialistas acompanhou a conduta das pessoas em cada local. O que o experimento revelou? O carro abandonado na região pobre começou a ser vandalizado em poucas horas, levaram dele tudo que podiam. Já o carro abandonado na região rica, ficou intacto.
Após uma semana intacto, o carro da região rica foi alvo da própria equipe do experimento. Propositalmente quebraram um vidro do automóvel e logo desencadeou um processo de destruição do veículo, muito parecido com o que aconteceu com o carro abandonado na região pobre.
Por que um vidro quebrado foi capaz de gerar esse comportamento? A questão não estava no fato de estar em um bairro pobre ou rico, mas na psicologia humana e nas relações sociais.
Ao notar algo deteriorado, a ideia de despreocupação aparece e os códigos de convivência são quebrados, como se não existissem mais regras a serem seguidas, convidando todos a um vale tudo.
A partir desse experimento surgiu a teoria das janelas quebradas, concluindo que o delito é sempre maior nas zonas onde o descuido, a sujeira e a desordem existem. A partir do momento em que um vidro é rachado, as pessoas passam a reparar neles e, logo, estarão quebrados.
Gente que nem sabe onde está se metendo: a coragem coletiva
Recentemente eu fiquei sabendo de uma manifestação de alunos em uma universidade. Um caos foi criado naquele ambiente, vários protestos. Quando um dos professores decidiu perguntar a alguns deles se sabiam sobre o que estavam protestando, muitos deles responderam que apenas estavam ali, juntos, que sequer haviam lido o documento que causada a discórdia. Outros, disseram que não fizeram nada, apenas curtiram ou compartilharam um post, desconhecendo o fato de que no contexto atual isso é um tipo de endosso.
Mídias sociais, efeito manada e a coragem VIRTUAL coletiva
Nas mídias sociais o fenômeno existe é interessante de ser investigado - para não dizer assustador. Faça um post sobre um assunto não polêmico e note um curso calmo e tranquilo, até que um hater apareça e propositalmente queira ir contra ao que foi dito. Pronto, o efeito manada que provoca uma coragem virtual coletiva é iniciado e logo vemos a teoria das janelas quebradas acontecendo.
O curioso desse cenário é perceber que estranhamente as pessoas se sentem fortes e protegidas atrás de suas telas e que podem se tornar ainda maiores no coletivo, criando coragem de fazer algo que jamais fariam se estivessem sozinhas ou sendo vistas olho no olho.
Nas redes sociais, ambientes recheados de pessoas que tem a liberdade de publicar o que desejarem (o que não exclui a existência de um código invisível que deve ser respeitado de acordo com o nicho da ferramenta, tampouco o termo de uso assinado pelo usuário ao decidir usar o serviço), o efeito manada pode ser intensamente percebido. Quantas marcas e pessoas já não foram alvo e viralizaram depois que alguém iniciou uma caçada, provocada por um simples comentário que criou uma tragédia, que incentivou pessoas a levarem adiante algo que sequer tinham certeza ou que não era tão importante assim?
Ambientes virtuais estão cada vez mais perigosos. O ódio é intenso, apenas pelo fato de não poder olhar nos olhos do outro. A coragem cresce. E muitos não percebem que opinião é diferente de argumento. Que o espaço público acaba quando começa a privacidade do outro.
Diversos foram os casos de notícias falsas espalhadas que geraram retaliações a quem sequer tinha culpa sobre aquilo. E muitos outros casos de justiça feita com as próprias mãos, porque o tribunal criado pelos pertencentes do grupo da coragem virtual coletiva decidiram que era hora de agir.
Tudo o que fazemos nas mídias sociais fica gravado como uma tatuagem. E tatuagens são bem difíceis de serem apagadas. Neste contexto, podemos citar como verdadeiras tatuagens digitais. Tudo o que escrevemos e publicamos, tudo o que curtimos e compartilhamos fica registrado e são formas de concordar com o que estava ali exposto.
Para não ser uma vítima e ao mesmo tempo tornar-se um predador, analise seu comportamento. Perceba que atualmente o virtual é a extensão de sua vida real, não se trata mais de um ambiente protegido, avulso, que não interfere no restante. Analise o que você tem feito, pense bastante antes de decidir atacar alguém. Pergunte-se se sua opinião seria a mesma fora da internet e se você teria a mesma coragem de dizer o que diria atrás de uma tela ou motivado por opiniões alheias que, no fundo, não são as suas. Talvez você esteja sendo influenciado e ainda não percebeu. Mas talvez, também, apenas você seja responsabilizado pelo que outra pessoa iniciou e que o fez cair de gaiato. E nem era sua intenção.]
Flavia Gamonar para o Linkedin.

domingo, 14 de maio de 2017

Direito à pluralidade religiosa



[Segundo reflexão do teólogo francês Claude Geffré, a questão da liberdade de opção religiosa unicamente se sustenta se a pluralidade religiosa for considerada não apenas como uma “realidade de fato”, mas também como uma “realidade de direito”. Apesar de essa pluralidade ser aceita como fato incontestável, por estar sempre presente em todas as épocas e culturas da humanidade, ela, na verdade, existe como um direito de todos, por ser manifestação do plano divino.
Corroborando isso, podemos encontrar, na tradição védica (hindu), as afirmações de que ekam sad vipra bahuda vadanti: “O Real é único, mas os sábios descrevem-no de várias formas.” (Rig Veda 1.164.46)

vadanti tat tattva-vidas tattvam yaj jnanam advayam
brahmeti paramatmeti bhagavan iti shabdyate

“Os videntes e conhecedores da Verdade não dual e plena de conhecimento descrevem-na como o Ser Absoluto [Brahman], a Alma Suprema [Paramātman] e a Pessoa Todo-opulenta [Bhagavan]”. (Bhagavata Purana. 1.2.11)
Quando se parte da premissa de que o conceito de Deus se refere, em igualdade, ao conceito do Absoluto ou da Realidade última, pode-se concluir que só existe uma única Divindade. Mas, quando as experiências com o Divino acontecem fatualmente, no contexto da história, elas se manifestam diferentemente, nas várias tradições e culturas religiosas, como experiências singulares.
Nenhuma fé ou religião pode ser considerada absoluta ou exclusiva, pois toda fé é relativa, na medida em que ela não aponta para si própria, mas para a Divindade, como seu fundamento e fonte, como o único Absoluto. Qualquer religião que se pretenda absoluta, em detrimento de todas as outras, nega o próprio conceito do Absoluto, como realidade única sem um segundo.
Sri Krishna afirma na Bhagavad-gita (4.11):

ye yatha mam prapadyante tams tathaiva bhajamy aham 
mama vartmanuvartante manusyah partha sarvashah

“Na medida em que eles se voltam para Mim, assim também Eu os aceito, ó filho de Partha; todos seguem o Meu caminho sob todos os aspectos.”
Isso significa que Deus Se relaciona com todos os seres de acordo com sua realização, sinceridade e desejo de amor e serviço, e não de acordo com a sua afiliação a uma entidade religiosa. Certamente, toda e cada instituição religiosa genuína tem sua pertinência própria, na medida em que é considerada mediação da experiência do Divino para seus adeptos. Contudo, elas deveriam ser percebidas como sendo diferentes paradigmas do reencontro do Divino com o humano, e tendo a Divindade Suprema como seu centro e objetivo principal. Essa é a fórmula da paz.]
Lokasaksi Dasa